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terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Capitulo III

CAPÍTULO III

Todos já estavam no barzinho quando Demi chegou. Doug a recebeu com alegria e lhe ofereceu um drinque ao mesmo tempo em que lhe mostrava o bufê para que se servisse. Pouco depois Taylor se aproximou, e Demi percebeu que ele já havia bebido um pouco além da conta.
-Preciso falar com você — começou ele. — Vamos nos sentar?
Para não criar problemas, deixou que Taylor a conduzisse até uma mesa próxima ao grupo. Taylor Swift estava de pé bem em frente, e o coração de Demi disparou quando viu Joe indo em direção a ela.
— É Mary — confidenciou Taylor. — Ela quer voltar para mim. A mãe dela me telefonou esta manhã. Demi, eu mal posso acreditar!
— O que você respondeu?
— Eu não disse nada.
— Se você quer meu conselho, não diga nada, pelo menos por enquanto. Tenho certeza de que Mary vai admirá-Io muito mais se você não voltar para ela imediatamente, Taylor. Mas só você pode tomar essa decisão. Agora com licença, preciso ir embora.
— Fique mais um pouco e eu lhe darei uma carona, combinado?
— Obrigada, Taylor, mas eu realmente não posso — disse ela, levantando-se para procurar Doug.
— Não me diga que você já vai? — Doug não disfarçou seu aborrecimento.
— Sinto muito, mais preciso ir, acredite.
Taylor e Joe haviam se juntado ao grupo no bar, e Demi sentiu que enrubescia quando ouviu Taylor S. comentar:
— Um namorado? Que surpreendente! Quem é ele? Acho que podemos adivinhar, não?
Ela olhava para Tay enquanto falava, e Demi teve vontade de dizer-lhe toda a verdade.
— Que tal um beijo de boa sorte? — Doug sugeriu num tom de brincadeira.
Demi sabia que se recusasse o pedido iria magoá-Io.
Inclinando-se, ela o beijou no rosto enquanto os outros aplaudiam. Como se percebesse quanto esse gesto havia sido difícil para Demi, Doug exclamou:
— Obrigado, meu anjo. Seja paciente com Joe, pois você sabe que ele não é como eu.
— Infelizmente. — A palavra escapou antes que ela pudesse notar, e Doug não fez comentário algum porque Taylor acabava de chegar perto deles.
— Vou levá-Ia para casa, Demi.
Ela procurou se afastar, mas Tay a impediu. Ele já estava bastante alterado e começava a se tornar inconveniente.
— Parece que você passou da conta na bebida, companheiro — interrompeu Joe calmamente, procurando detê-Io.
Taylor empurrou-o e, por um momento, Demi sentiu medo ao perceber o olhar irritado de Joe.
— Vou levar Demi para casa, está decidido — disse Tay.
— Eu a levarei. Você não tem a mínima condição de dirigir, rapaz! Acho até melhor você nos dar as chaves do seu carro, a menos, é claro, que esteja planejando passar o resto da noite com Demi.
Houve um silencio eletrizante quando Demi olhou para Joe com profunda irritação.
— Não? É uma surpresa! Dê-me suas chaves, e a Taylor o levará para casa com segurança, não é, Taylor?
Taylor ficou surpresa e sentiu-se um pouco humilhada. Com certeza ela esperava esticar o programa com Joe e por isso encarava Demi com evidente hostilidade.
— Não quero que ninguém me leve para casa - disse Demi, decidida. — Sou perfeitamente capaz de ir sozinha.  Bem, tenho de ir agora senão perderei o ônibus.
— Você não vai andar sozinha pelas ruas a esta hora da noite.— Joe a segurou pelo braço.
— Aqui não é Nova York — opôs-se Demi, tentando pôr fim àquela discussão.
— Você sabe que ele está certo, Demi — interveio Doug. — Não é seguro sair desacompanhada à noite aqui em Londres.
Parecia que todos conspiravam contra ela, mas a violência nas ruas era um fato e seria tolice ignorá-Ia. Até mesmo Tay acabou concordando com a decisão de Joe e entregou as chaves para Taylor. .
Joe não largou o braço de Demi e, enquanto eles se despediam dos outros, ela disse:
— Realmente não há necessidade. Além disso, você nem sabe onde moro. Eu posso tirá-Io do seu caminho.
— Eu sei o seu endereço. Olhei no registro de funcionários. Agora, seja boazinha e fique quieta, certo?
O carro não estava estacionado muito longe dali, mas Joe continuou a segurá-Ia. Quem os visse assim poderia pensar que eram conhecidos íntimos...
Ela estava tão envolvida nos pensamentos que nem reparou quando Joe parou junto a um carro cinza que parecia bastante veloz.
— Entre — disse ele, abrindo a porta para que Demi se acomodasse.
Ela estremeceu quando Joe entrou no carro e se aproximou para apanhar o cinto de segurança.
— O que pensou que eu fosse fazer? Ceder à violenta tentação e fazer amor com você?
— Não seja ridículo! — exclamou ela com indiferença.
Joe não a tocou enquanto prendia o cinto, mas Demi sentia a presença dele intensamente, o que tornou vivas em sua mente recordações havia muito apagadas.
Joe deu a partida no carro e saiu. Olhou para Demi uma ou duas vezes, mas, como ela se recusasse a olhá-Io, ligou o toca-fitas. .
— Ainda está aborrecida porque eu atrapalhei seu romance? — perguntou Joe. — Você sabe que ele é casado, não? Conte-me a verdade, você o ama?
— Não é da sua conta! .
— Claro que é. Vocês dois fazem parte da minha equipe. Casos de amor no trabalho acabam atrapalhando o desempenho profissional!
— E você teme que meu "caso" com Tay possa afetar meu serviço — disse ela, com doçura. — Pois bem, não se preocupe, isto não acontecerá.
— Espero. Realmente, ele não parece o tipo de homem que consegue manter uma mulher satisfeita, quanto mais duas. O comentário deixou-a furiosa, e Demi esqueceu-se completamente do firme propósito de não discutir mais com ele.
— O que eu sinto por Tay não é da sua conta e não quero falar sobre isso, entendeu bem? Eu prefiro continuar a pé.
Ela procurou a maçaneta da porta, e Joe soltou um palavrão, freando o carro violentamente. Ele a segurou pelos braços e a sacudiu com raiva.
— Nunca mais tente fazer isso, sua... O que você ia fazer? Pular do carro? Caso não tenha percebido, nós estávamos a oitenta quilômetros por hora. Você sabe o que pode acontecer a essa velocidade? Não sobraria nada de você nem para contar a história!
— Pare com isso! — A cabeça de Demi latejava de susto e medo. Na verdade não pretendia abrir a porta, mas o nervosismo foi tanto que ela acabou se descontrolando, agindo automaticamente.
Joe a soltou e continuou o percurso em silêncio. Demi ouviu um barulho e, quando o olhou confusa, ele explicou friamente:
— Acionei um sistema automático de travas de segurança para as portas. Se você insiste em se comportar como uma criança, precisa ser tratada como tal. Ou está pensando que se você se matar na minha frente me deixará com remorso?
Demi teve vontade de lhe dar um tapa na cara, mas contentou-se em dirigir-lhe um olhar de desprezo.
Joe só lhe perguntou o caminho uma vez, logo que eles saíram da estrada principal para entrar na rua em que ela morava. Quando o carro parou em frente a casa, Demi ficou satisfeita por já estar escuro e por Miley e Nick não poderem ver quem a acompanhava.
Ela se voltou para abrir a porta, esquecendo que estava trancada.
— Oh, não, você não vai sair. Não assim com essa pressa.
Nós temos muito o que conversar! Você pensa que pode continuar me tratando desse jeito? Eu não sou Taylor, Demi.
— Eu sei — respondeu ela, fria. — Sei exatamente que tipo de homem você é, Joe. Sádico, mentiroso, completamente insensível. Preciso continuar? Mas não se preocupe, sua reputação estará a salvo. O grande e inteligentíssimo repórter que conseguiu um furo de primeira página e chutou a tola que o ajudou, deixando-a sozinha para enfrentar todas as acusações!
— Não foi bem assim — disse, segurando-a pelos braços.
— Eu... Que inferno! — Ele a afastou. — Não coloque toda a culpa em mim, Demi. Você também teve uma participação nisso tudo, embora prefira esquecer. Não foi só culpa minha.
— Deixe-me sair deste carro! Acho que você é a pessoa mais desprezível que já conheci! Oh, pelo amor de Deus, não me toque! — Demi gritou, tentando afastar-se enquanto ele a mantinha presa, desafiando-a com o olhar.
— Vamos, me bata. — Deu um sorriso desdenhoso.
Ela lutava para se livrar, mas seus movimentos agitados apenas a aproximavam mais dele.
— Eu odeio você!
Não queria que Joe a tocasse, não poderia resistir. Desde que ele a deixara, ninguém mais havia encostado nela, e às vezes Demi achava que se alguém o fizesse ela não suportaria. Sentia medo de que os sentimentos há tanto tempo abafados de repente viessem à tona e a levassem novamente àquela explosão de desejo que dividira com Joe.
Ela se recusava a aceitar que era seu amor por Joe que a deixava totalmente desarmada.
— Dizem que o ódio e o amor andam juntos — Joe falou num tom de gozação.
— Amor! Só o pensamento de tê-Io ao meu lado me deixa com náuseas.
— É o que está acontecendo agora?
No mesmo instante Demi ficou tensa. Tentou se afastar quando ele inclinou a cabeça em sua direção, mas Joe prendeu o rosto dela entre as mãos, beijando-a com raiva.
Demi sentiu-se desesperada diante do domínio daqueles lábios. Quando Joe soltou sua cabeça, ela pensou que havia vencido. Cruelmente, porém, ele colocou a mão pela abertura da blusa dela, acariciando-lhe os seios com brutalidade. Essa aproximação não lhe trouxe recordações insuportáveis como ela imaginava que fosse acontecer. No entanto, sabia que Joe estava apenas tentando puni-Ia e humilhá-Ia com toda aquela violência.
O pânico fazia Demi lutar com todas as forças, mas Joe a subjugou facilmente. Sua blusa estava aberta, e ela fechou os olhos com horror quando pressentiu a intenção de Joe. Sentindo o peito dele contra o corpo enquanto tentava afastá-Io, Demi soltou um gemido fraco que fez com que Joe a soltasse.
— Não precisa desmaiar. Você não é nenhuma heroína frágil — comentou Joe. — Meus Deus, parece ser verdade o que andaram comentando. Você está fria como gelo!
— Você me fez ficar assim! O que estava esperando? Que eu caísse em seus braços com gritos de êxtase? Deixe-me sair daqui! — Uma terrível inércia tomava conta de seu corpo inteiro.
Desta vez, quando Demi procurou a maçaneta, a porta se abriu instantaneamente.
Ela não conseguiria encarar Miley e Nick e por isso foi primeiro para seu próprio apartamento. Olhando-se no espelho, viu os cabelos despenteados, a boca machucada e o colo todo marcado. Tremendo de desgosto, Demi arrancou a blusa e o sutiã, jogando-os no lixo. Não queria mais senti-los junto à pele.
Tomou uma ducha fria, o que não a deixou menos angustiada e aturdida. Queria apenas se deitar, mas tinha medo de pensar em tudo o que havia acontecido. Por isso, com esforço, vestiu-se e penteou os cabelos antes de ir buscar Nicky.
Apesar de tentar disfarçar, ela sabia que Miley havia notado sua boca machucada, embora a amiga não tivesse feito comentário algum.
— Desculpe, cheguei um pouco tarde. Está tudo bem?
— Tudo bem! E você, como está? Não me parece muito disposta — comentou Miley, preocupada.
— Estou com dor de cabeça, só isso. — Era verdade. Sua cabeça latejava, e ela não parava de tremer, mesmo não estando com frio.
Nick insistiu em carregar Nicky para baixo.

Nicky tem sorte!, Pensou Demi. Se a vida dela fosse tão simples quanto à dele!

De madrugada, Demi teve um pesadelo terrível. Nicky estava chorando, e ela tentava ir até ele mas não conseguia se mover pois algo a segurava. Desesperada, procurava em vão se soltar e gritava para que o filho a esperasse: De repente, se virou e o rosto que viu era o de Joe; frio e zombeteiro.
— Não! — gritou, abrindo os olhos. O quarto rodava e ela sentiu uma náusea muito forte quando tentou levantar a cabeça do travesseiro.
Enxaqueca! Há tempos que não tinha uma crise, e, dessa vez, a causa era evidente. Olhou para o relógio sabendo que não poderia ir trabalhar, pois as crises costumavam ser violentas. Quando tentou alcançar o telefone para ligar para o jornal, ela ouviu Miley abrir a porta do apartamento e correr para o quarto.
— Você está doente? O que aconteceu? Alguma coisa grave?
— Uma enxaqueca pavorosa! Estava tentando ligar para o escritório.
— Deixe que eu faço isso. Onde está o remédio?
Depois de tomar os comprimidos, Demi começou a se sentir sonolenta e desejou que no dia seguinte estivesse totalmente recuperada.
No fim da tarde acordou sem dor de cabeça, mas ainda sentia-se bastante zonza.
Quando bateu à porta de Miley, foi recebida alegremente por Nicky, que queria saber se ela estava melhor. A amiga insistiu para que ela e o filho jantassem com eles.
— Você tem trabalhado muito — disse. Miley. — Além do mais, esse calor também não colabora.
Estava realmente muito quente, mas Demi sabia que o clima não era o responsável por seu mal-estar.
— Falei com seu chefe. Ele ficou muito preocupado quando eu disse que você estava doente.
— Você mencionou Nicky? .
— Não — Miley respondeu sem entender a razão da pergunta.
— É que as pessoas no escritório não sabem que tenho um filho.
Embora Miley tivesse aceitado a explicação, Demi percebeu que ela ficara bastante curiosa e rezou para que não surgisse, a oportunidade de a amiga conhecer Joe.
Nicky não parava de falar quando Demi o colocou na cama, e sentiu-se orgulhoso ao contar para a mãe como não havia sido medroso quando Nick o jogara para o ar, numa das brincadeiras de costume.
— Por que não tenho um pai? — ele perguntou subitamente.
— Você tem a mim — respondeu Demi. — Não é o bastante, filhinho?
— Eu queria um pai também. Você não pode brincar comigo como um pai.
Demi conseguiu distraí-Io falando dos ursos que iriam ver no zoológico, mas não poderia fazer isso pelo resto da vida. Pela primeira vez ocorreu-lhe que Nicky poderia ficar magoado imaginando que ela rejeitara o pai dele. Não conseguiu conter as lágrimas ao pensar nisso. Se Nicky fosse adulto, poderia lhe explicar tudo, mas talvez já fosse muito tarde...

Divulgação *-*

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sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Capitulo II

CAPITULO II

Já passava das sete horas da noite quando Demi desceu do ônibus. No último minuto surgiu um artigo urgente, e ela precisou trabalhar até mais tarde.
O caminho até sua casa era longo, mas havia três anos a tinha comprado justamente por ser fora da cidade. A propriedade era dividida em dois apartamentos independentes.
Demi morava na parte de baixo e a outra era habitada por um casal de italianos. Eles tinham uma filhinha, Caterina, e Demi se dava muito bem com essa família, principalmente com Miley, esposa de Nick que era de sua idade. Miley a esperava quando ela abriu a porta, e isso a deixou assustada.
— Aconteceu alguma coisa?
— Calma, está tudo bem — disse Miley. — Nunca conheci uma mãe tão aflita! Só vim apanhar o pijama dele. Parece que já está cansado de brincar no jardim.
Aliviada, Demi se encostou à porta. Esse era o preço que tinha de pagar por trabalhar fora. Sabia que Miley cuidava de Nicky como se fosse seu próprio filho, mas sempre temia que ele precisasse dela enquanto estivesse ausente.
A sorte era ter Miley por perto. O casal havia chegado a sua casa desesperado, e Demi deixou que ocupassem o apartamento por um modesto aluguel. Como Miley não trabalhava, era ela quem tomava conta do menino.
As duas subiram para o apartamento de Miley e quando chegaram lá um garotinho moreno se atirou nos braços de Demi, perguntando por que tinha demorado.
— Estive trabalhando para ganhar bastante dinheiro, meu amor — respondeu suavemente.
Nicky sabia que sua mãe precisava ganhar dinheiro, mas Demi achava insuportável ficar repetindo sempre a mesma coisa.
— Ele já tomou o chá — disse Miley com um sorriso.
Demi agradeceu, sem tirar os olhos do filho.
— Você ficou bonzinho? — perguntou ela, com interesse.
Quando o filho respondeu que sim, seu coração se encheu de amor.
— Vá buscar os brinquedos para a mamãe — disse Miley, fechando a porta da sala atrás dele.
— O que há de errado? — Demi quis saber depois que Gina fechou a porta.
— Na verdade, nada. Hoje, quando estávamos no parque, Nicky perguntou pelo pai. Ele é muito inteligente, Demi. Já notou que Caterina tem pai e mãe e constantemente me faz perguntas sobre o que aconteceu com o pai dele. Será que ele realmente não o quer?
— O pai dele nem mesmo sabe que Nicky existe. Por favor, Miley, não toque nesse assunto, principalmente hoje.
Eu não suportaria...
— Pelo bem de Nicky você deveria contar-lhe. Você não pode iludi-Io eternamente. Logo ele terá idade para ir à escola, e as outras crianças vão ficar curiosas.
— Hoje em dia é normal crianças com apenas um dos pais, e certamente Nicky está vivendo melhor apenas comigo do que com pais que brigam constantemente...
— Ele é muito sensível. Quando pergunta pelo pai, seu olhar fica confuso e isso me corta o coração. Hoje ele quis saber se o pai não o queria. O que eu podia responder?
Felizmente consegui distrair sua atenção. Mas Nicky está crescendo e logo terá três anos. O que você vai lhe dizer?
— O que posso dizer? — perguntou Demi, com amargura. Ele foi concebido por acidente e meu... Caso com o pai dele já estava terminado havia muito tempo quando descobri que estava grávida. Como posso lhe contar isso?
Elas ouviram a porta se abrir, e Nicky apareceu carregando um ursinho de pelúcia e uma .sacola de brinquedos de plástico.
— Diga boa-noite a Miley — disse Demi.

Mais tarde, quando o colocava na cama, ela examinou cuidadosamente as feições de Nicky. Ele era muito parecido com Joe: tinha os mesmos olhos e os mesmos cabelos castanhos.
Ao descobrir que estava grávida Demi deixara o emprego. Praticamente tinha ficado histérica ao ver-se envolvida num escândalo, tendo de enfrentar a imprensa e a polícia, e a notícia de que estava esperando um filho de Joe quase a levara à loucura.
Quando o menino nasceu, após uma noite de dor e angústia, não quis vê-Io, mas a parteira colocou-o em seus braços e desde então Demi não quis mais se separar do filho. Ela sentia uma leve satisfação ao saber que Joe nem imaginava a existência dessa criança. Não fora fácil criá-Io sozinha, principalmente com a preocupação de sustentá-Io e garantir-lhe o futuro.
Até agora Nicky havia aceitado o fato de ter apenas a "mãe", mas, como Miley bem disse, não demoraria para que começasse a fazer perguntas sobre o pai.

Na manhã seguinte, Nicky parecia estranho. Estava com o olhar distraído e distante ao sentar-se para tomar o café da manhã e Demi imaginou que talvez ele tivesse percebido sua tensão.
— Não vá trabalhar mamãe — pediu ele, com os olhos cheios de lágrimas. — Fique comigo, está bem?
— Você sabe que eu preciso ir, Nicky. Amanhã é sexta-feira e depois disso a mamãe ficará dois dias inteirinhos com você. Se você se comportar, iremos dar um bonito passeio.
— Onde? — perguntou ele, esquecendo as lágrimas. — Ver os ursos no zoológico?
— Quem sabe? Termine de comer o pãozinho como um bom menino, filho.
Por causa de Nicky, Demi se atrasou e quando chegou à avenida viu seu ônibus indo embora. Não gostava de chegar atrasada na parte da manhã, mas Doug compreenderia. Não que ele soubesse sobre Nicky. Ninguém no escritório imaginava que tivesse um filho, e ela queria que continuasse assim principalmente agora que Joe estava trabalhando no jornal.
Ele nem mesmo quis saber por que eu troquei de nome, pensou com amargura. Ela se chamava Devonne Walker. Então tirou o primeiro nome e mudou o sobrenome para o de solteira de sua mãe: Demi Lovato. Joe não perguntaria por que com certeza tinha seguido todos os detalhes pelos jornais.
Já eram nove e dez quando ela chegou ao escritório.
— Ora, viva! Finalmente você chegou! — Joe exclamou, com rapidez. — Está dez minutos atrasada. Hoje é uma exceção ou preciso ir me acostumando?
— Sinto muito pelo atraso — ela desculpou-se friamente, apanhando os envelopes que estavam sobre a escrivaninha. — Vou apenas examinar a correspondência e então estarei à sua disposição.
— Ei, madame, onde a senhora pensa que vai com isso? Ninguém me passa para trás, está ouvindo? Sou perfeitamente capaz de tratar disso sozinho. Com certeza Doug precisava muito de sua assistência, mas eu não. Dê-me isso.
— Sim, Sr. Jonas — ela respondeu, entregando-lhe as cartas. — Por falar nisso, onde está Doug?
— Acredito que esteja se despedindo. Hoje é seu último dia por aqui.
— Mas pensei que...
— Você pensou o quê? Que eu tinha necessidade de que ele cuidasse de mim até quando? Este lugar não comporta mais de uma pessoa. Por isso, por mais que goste e respeite Doug, não quero que ele fique supervisionando tudo o que faço. Tenho certeza de que ele sentiria o mesmo na minha situação.
— Não demorou muito, não é? Primeiro você tenta se livrar da secretária e agora quer que ele também vá dando o fora. E isso?
— Doug disse para lembrá-Ia de que ele a espera esta noite no barzinho para comemorar com o pessoal. Creio que seu namoradinho também estará lá.
Ela ia dizer que não tinha namorado, quando compreendeu que Joe se referia a Taylor.
— Provavelmente não irei. — Demi não tinha avisado Miley de que chegaria atrasada.
— Parece que encontra prazer em estragar o divertimento dos outros, não é? Agora posso entender por que você teve de se livrar de "Devonne". Ela era muito doce e simples. Gostaria de saber que pensamentos passam por essa sua cabecinha fria. Você nem mesmo pode se humanizar um pouco e se despedir de Doug?
— Você não tem o direito de falar assim comigo! — Ela tremia de medo e raiva. Era como se pela primeira vez o estivesse vendo sem aquela adoração de antigamente. Como poderia ter achado que ele era um amante terno ou um homem que transmitia segurança? Joe era um predador, um caçador que matava e despedaçava as presas que abatia.
A porta se abriu e Doug entrou, olhando de Joe para ela. — Que tal um café, amor? — sugeriu a Demi. Virando-se para Joe, acrescentou: — Demi é maravilhosa. Antes de ela vir trabalhar aqui, tínhamos de nos contentar com o café da cantina, mas agora tomamos cafezinho fresco todas às manhãs. Garanto que é um tratamento bem melhor do que aquele que você recebia nos Estados Unidos.
— Lá existem máquinas. Por isso, é menor a perda de tempo. O que acontece quando Demi se ausenta do serviço? Você contrata secretárias temporárias ou...
Demi não quis olhar para Joe. Ele estava tentando descobrir se havia outra secretária que pudesse ficar no lugar dela.
— Quando ela tirou férias, fiquei com uma das garotas do serviço temporário. Não é o ideal, de jeito algum, mas nós nos arranjamos. Você vai hoje à noite, não vai, Demi?
— Não sei... Não estou convenientemente vestida.
— Pois eu faço questão da sua presença. Vou sair e deixar que vocês se conheçam melhor. E, por favor, mantenha o café quente — acrescentou, saindo da sala.
— Nunca imaginei que tivesse se tornado uma sedutora, Demi. Parece que você tem todos os homens na palma da mão — Joe comentou com ironia.
Ela engoliu o insulto, dando graças a Deus por estar de costas para ele.
— Deixe isso para lá — ordenou ele, quando ela foi apanhar a cafeteira. — Nós temos muito trabalho hoje.
Ela o acompanhou até o escritório e começou a anotar um ditado. Como que para castigá-Ia, ele ditava numa velocidade muito maior do que Doug costumava fazer, entretanto Demi não se preocupou. Ela adorava taquigrafia e esta foi uma ótima oportunidade para colocá-Ia em prática. Procurava caprichar o máximo, quando de repente o telefone tocou.
Joe o atendeu, ouviu em silêncio e depois disse:
— Claro que não estou ofendido, querida Taylor. Pelo contrário, estou muito lisonjeado, pois não é todo dia que uma mulher tão bonita como você me convida para almoçar. À uma hora está bem para você?
Desligando o telefone, ele se dirigiu a Demi:
— Leia a última parte. Esqueci onde estava.
Demi tinha certeza de que ele estava mentindo. A carta era longa e complicada, mas ela leu com ótima discrição e, ao terminar, percebeu que Joe a olhava com sarcasmo.
— É quase como ter meu próprio computador! Você nunca quis descer do seu pedestal e se juntar à raça humana?
— Contanto que ela não inclua você — Demi respondeu com amargura.
— Então é assim. — Joe se aproximou dela. — Não me responsabilize por tudo, Demi. Você...
— Eu fui tola e estúpida, e você tirou vantagem disso, não é Joe? Deus, como eu o odeio! Ver você no fundo do poço não seria suficiente para me satisfazer!
— E por isso que você insiste em ficar aqui? Você quer se vingar? Fale!
— Estou aqui porque preciso do emprego — respondeu ela friamente. — Além disso, acho que a chefia não ficará muito impressionada com seu novo editor se eu contar os verdadeiros motivos de sua ansiedade por me afastar daqui. Tenho certeza de que os jornais concorrentes adorariam essa história. Gostaria de saber quanto eles pagariam por minhas declarações.
— Isso é uma faca de dois gumes, você não vê? Trabalhando para mim, você se coloca sob a minha autoridade. Não fica amedrontada?
— Não — mentiu Demi. — Você já fez o pior que poderia ter feito!

Só na hora do almoço Demi conseguiu telefonar para Miley e avisá-Ia de, que chegaria mais tarde.
— Parece que você resolveu pensar no que eu disse sobre Nicky — brincou Miley. — Espero que tenha sorte em encontrar um pai para ele.

Demi pensou que Joe chegaria mais tarde por causa de Taylor, e não fechou a porta de sua sala. Estava no meio da conversa com Miley quando ele entrou.
— Chamada pessoal? — perguntou Joe, com sarcasmo, logo que ela desligou. — É a primeira vez que vejo um sinal de vida em você desde que cheguei. Taylor sabe sobre ele?
— Minha vida particular não é da sua conta — respondeu Demi, dando as costas para ele para procurar um papel no arquivo.
— Você ainda usa o mesmo perfume — comentou Joe.
— Você ainda lembra? Ah! Os repórteres são treinados para lembrar-se dos mínimos detalhes, não é mesmo? Foi assim que você conseguiu aquele furo, certo? Como deve ter sido cansativo ficar ouvindo os meus problemas! Mas no final você foi bem recompensado. Como disse a Taylor, a história o tornou famoso da noite para o dia. Fiquei surpresa com o fato de, ontem, você não contar a todos quem eu era. Ou será que se envergonha de revelar os meios sórdidos como conseguiu aquela história?
— Você não fez tudo com indiferença?
— Eu não era indiferente quando permiti que fizesse amor comigo. Gostaria de pensar que trabalhando para você poderia tornar sua vida um inferno, Joe, mas nós dois sabemos perfeitamente que você jamais se arrependeu!
Joe tentou tocá-Ia, mas Demi se afastou. A raiva era evidente no olhar que ele lhe lançou. É claro que ele nunca se sentira atraído por ela. Joe era o tipo de homem que sempre seduzia todas as mulheres que queria. E como deve ter, zombado da ingenuidade dela!
Às cinco horas, Demi já havia terminado o serviço e foi até o vestiário para descansar um pouco.
— Que desperdício — dizia uma garota para outra sem perceber a presença de Demi. — Um homem maravilhoso ao lado de Lovato, que mais parece uma geladeira! Aposto que ela não sabe o que fazer com um homem daqueles! Basta ver como se comporta com o idiota do Taylor!
Alguém a cutucou, e a garota olhou, sem graça, para Demi. Por um momento Demi teve vontade de lhe dizer o que faria com, um homem como Joe Jonas, mas desistiu, fingindo não ter ouvido nada. Então era aquilo que diziam dela? Muito bem! Mas que importância tinha isso?

domingo, 18 de dezembro de 2011

One's Heart

Demetria sempre fora apaixonada por Joseph, desde que o viu pela primeira vez, no jardim de infância, quieto, brincando com sua coleção de figurinhas.
Embora sempre achasse que todo esse sentimento não passasse de uma paixão infantil, e que com o passar do tempo esvairia-se, passou a mudar seu modo de pensar, quando se deu por conta que já haviam se passado cerca de 18 anos, e o seu amor pelo garoto meigo, dos cabelos longos continuava intacto.
Joseph era o garoto prodígio da escola. Todos os alunos disputavam para estar ao seu lado. O tempo havia o feito muito bem. O pequeno e meio garoto que Demetria se apaixonara já não era mais o mesmo, havia crescido, e mudado. Joe, como os amigos e seguidores passaram a lhe chamar, era namorado de Lívia, uma esnobe, e sem piedade.
Já Demetria, continuara sendo a menina timidade e estudiosa da classe, professor algum reclamava por te-la como aluna, mas que na verdade não era a verdadeira vida que a garota gostaria de ter.
O dia amanhecia, o sol raiava explendorosamente lá fora, e o canto suave dos pássaros sobre sua janela acordaram Demetria. Por mais tedioso que fossem os dias, bastava o pensamente de que Joe estaria uma classe ao lado da sua, fazia com que todos os sentimentos ruins que a tomasse simplesmente sumissem, e em um estalar de dedos, a garota se via suspirando, e sorrindo contagiantemente.
Mas aquela manha algo parecia diferente, algo incomum passava-se dentro de Demetria. Algo a perturbava, uma sensação incomoda, que a deixou inquieta e pensativa a aula toda.
Enquanto Demetria assimilava a explosão de sentimentos que a perturbavam, escutou alguém berrar insistentemente seu nome.
- Demetria, Demetria! – Era seu professor, Antonio, que sem entender a desatenção da menina, a chacoalhava pelo ombro.

Demi acordou de seu pesadelo imediatamente, ao som dos risos da classe inteira, exceto de Joseph, que a fitava atentamente, lendo suas feições.
- Me desculpe professor, estava no mundo da lua. – disse a garota constrangida, sentindo suas bochechas corarem. 
- Ótimo, agora trate de voltar para a terra, e me dar o resultado do primeiro problema! 
As palavras do professor causaram risos gerais na classe, Demetria apenas afundou-se na cadeira e começou a resolver os complicados problemas de álgebra.
A aula parece passar voando, quando sua mente esta ocupada pensando em algo ruim.
O sinal soou, e todos os alunos começaram a sair, exceto Demetria, que continuará ali, intacta, olhando para o nada.
Alguns segundos se passaram e a garota perceberá que havia ficado só dentro da gigantesca sala de aula. Vagarosamente pegou seus cadernos, e os atirou em sua mochila, sem cuidado algum.
O corredor da escola ainda parecia tumultuado. Demetria respirou fundo, e andou, fitando o chão, em meio à multidão de adolescentes frenéticos e apressados. 
Quando estava perto da saída, algo arremessou bruscamente a garota e seus cadernos violentamente contra o chão. Demetria, assustada, e sem entender, olhou lentamente para cima, e deu de cara com Joe, e alguns de seus amigos, rindo e caçoando da garota.
- Terra chamando nerd! – gritavam eles, principalmente Joseph.
Naquele instante, seu mundo parou. Tudo em sua frente pareceu escurecer, e as lagrimas em seus olhos pareciam incontroláveis, e Demetria fez questão de mostrá-las, de mostrar para Joseph a dor que a tomava. As palavras do garoto eram como uma barra de fero, cravando sem piedade bem em meio a seu peito, e repetindo centenas de vezes em sua cabeça, sem parar. A dor que Demetria sentia naquele momento era maior do que a dor de qualquer ferimento, era uma dor que nada curaria.

A garota ajuntou seus cadernos e correu. Correu o maximo que pode, sentindo apenas os olhares curiosos deixados para trás.
Joseph continuou ali, parado, sem ação, apena as imagens de Demetria, soluçando, sobre o chão, como se algo a ferisse, fitando seu rosto, de modo desesperado, angustiado. O garoto parecia sentir a dor que Demi sentiu, e certamente, sentia naquele momento, o remorso era algo inevitável em seu peito. 
A dor que o coroia por dentro era insuportável. A vontade de abraçar e amparar a pequena e frágil menina, caída sobre o chão, tomada de dolorosas lagrimas era maior do que o próprio. Quando finalmente pode recuperar-se, sua única atitude foi afastar-se de seus amigos e correr atrás de Demetria, que sumia cada vez mais de seu olhar.
Joe gritava desesperadamente o nome da garota, que corria cada vez mais. 
Seus pés pareciam presos ao chão, e quando mais andava, mais Demetria parecia se distanciar, restava-lhe apenas o reflexo de seus cabelos esvoaçando ao vento, iluminado a visão de Joseph.
Sua respiração já estava irregular, sua cabeça girava loucamente e seus olhos pareciam cansados demais para enxergar a centímetros sequer.
Suas pernas, cederam-se, já sem forças para continuar e tremulas demais para dar um mínimo passo. 
Ao chocar-se com o chão, Joe ouviu três estrondosos disparos. Seu coração de imediato pareceu parar de bater. Rapidamente se viu em pé. Correu com toda a força que lhe restava, que mesmo sendo tão pouco, pareceu redobrar-se.
Havia acontecido oque previa. Quando dobrou a rua, uma multidão aglomerava-se em circulo, rodeando algo. Joe, sem pensar em ser gentil, ou algo de tipo com as pessoas, que curiosamente, pararam, correu em direção ao centro, empurrando todos que por sua frente passavam.

Demetria, sua Demetria, estava ali, estirada sobre o chão, tão frágil e sem proteção, com seu corpo coberto de sangue.
Seu mundo pareceu desabar. O verdadeiro amor de Joe, aquele pelo qual havia mantido em segredo durante cerca de 17 anos, corria risco de vida, e tudo oque passava por sua cabeça era a dor de que por sua culpa, poderia perder o grande amor de sua vida. 
Pela segunda vez consecutiva, seus joelhos cederam-se, e Joe abraçou-se ao corpo ensangüentado de sua frágil Demetria, e chorou. Seus olhos nunca haviam visto tantas lagrimas. Seu coração estava em pedaços, como sua alma, pequenos e míseros pedaços, irreconstituiveis. 
Seus gritos angustiados suplicavam por socorro. O corpo de Demetria debruçado sobre seus braços, temendo ouvir suas pulsações.
- Demi, abra seus olhos, mantenha seu coração batendo, não me deixe, por favor, não me deixe! Abra seus olhos, eu estou aqui, olhe para mim! – gritava desesperadamente Joe. Seus lábios tocaram-nos da garota. – Eu te amo Demetria, não me deixe, eu preciso de você aqui, fique comigo, abra seus olhos. 
As lagrimas joravam de seus olhos sem cessar um momento sequer. Joe podia sentir que seu coração já estava só, seus corações, que batiam os dois em um só já não eram mais assim, pois Demetria o deixará, seu coração acabará de parar de bater.
As sirenes soavam, o som do desespero, o som da dor, audível a quilômetros de distancia.
Os homens de branco, carregando o amor de sua vida para dentro de uma ambulância. Os choques que faziam seu corpo tremular, saltar, obrigando seu coração voltar a bater. Mas tudo, tudo parecia em vão. Novamente seu corpo foi tomado pelos choques, em vão. Seus olhos pareciam não querer se abrir, seu coração ferido não queria voltar a bater. O som dos aparelhos por todo o seu corpo, o som de seu coração, em linha reta. Seu corpo tremulando, e quando as tentativas eram sempre invalidas.

O silencio tomou o local, os médicos haviam desistido nada mais poderiam fazer seu coração já havia parado, e por mais que tentassem, parecia negar-se a voltar a reagir. 
O desespero tomou conta definitivamente de Joseph, que indo contra a ordem dos enfermeiros, debruçou-se contra o corpo de Demetria, e chorou, gritando desesperadamente, e inundando ao seu redor com lagrimas, cada lagrima dotada da dor que ardia sem cessar em seu peito, uma dor que o matava aos poucos, que o fazia sofrer.
- Demi, volte não me deixe aqui, eu não quero viver em um mundo em que você não esteja nele! Abra seus olhos, faça seu coração bater, tenha forças, eu estou com você, sei que você pode, volte pra mim, não me deixe aqui sozinho, você é tudo oque eu tenho, oque me dá forças pra viver. Eu te amo Demetria, não me deixe, eu te amo. – Joe beijou novamente Demetria, derramando suas lagrimas sobre ela, a beijou como se fosse o ultimo instante de sua vida, mas nada sentiu, Demetria, sua Demetria não estava mais ali, apenas um corpo.
Estava tudo acabado, sua vida estava acabada. O garoto, sem rumo, em choque, deu-se por vencido, apesar da dor que alastrava-o por dentro, arrastado pelos ‘homens de branco’, afastou-se de Demetria. Seu coração gritava ‘não desista do seu grande amor’, mas ele nada mais podia fazer. 
Quando Joe virou-se para o corpo de Demetria, o som de seu coração voltou a soar. Os aparelhos sobre seu corpo voltaram a sentir seus batimentos, seu coração havia voltado a bater, sua Demetria não havia o deixado, seu coração não estava mais só, seu coração finalmente havia recuperado o motivo para continuar a bater.




Às vezes procuramos tanto pelo que chamamos de amor, e não nos damos conta que ele pode estar mais perto do que esperamos. Procuramos algo que talvez nem seja oque verdadeiramente queremos, apenas uma mascara, e assim, nos escondemos por anos, pensando que não é esse o verdadeiro sentimento que há dentro de nós. Às vezes não nos damos por conta, do quanto agimos errado, a julgar sem conhecer, a sentir-se bem ao humilhar pessoas que simplesmente nunca nos fizeram mal. Criticamos pessoas, brigamos, e só nos damos conta do quanto elas são importantes quando elas não estão mais conosco.
FIM 

domingo, 11 de dezembro de 2011

Jemi - Amarga Traição

CAPITULO I

Demi Lovato entrou no escritório do Daily Globe carregando uma bandeja com duas xícaras, um bule de chá, leite e açúcar. Abriu a porta de sua sala e viu um casaco masculino jogado na cadeira. Doug Simons, seu chefe, sempre recebia visitas, mas as pessoas que freqüentavam o escritório não usavam casacos tão bem talhados e caros como aquele. Demi colocou a bandeja sobre a mesa e notou que a porta que dava para a sala de Doug estava entreaberta.
— E claro que depois de ter trabalhado no Telegraph você não encontrará dificuldade por aqui — ele falava.
— Está querendo me dizer que eu poderia ter algum tipo de problema?
— Estou me referindo a Demi.
— Demi?
— Minha secretária — acrescentou Doug. — Agora, sua. No começo talvez lhe dê um pouco de trabalho... Até que ela se acostume com você.
— Talvez me dê trabalho? Meu Deus, não é de admirar que suas vendas estejam caindo! Você permite que sua secretária lhe dê ordens?
Ao ouvir essas palavras insolentes, Demi sentiu vontade de entrar na sala de Doug e exigir que lhe explicasse por que achava necessário dizer a seu substituto que ele poderia ter "problemas". Afinal, ela era a secretária mais eficiente daquele lugar!
Demi estava de férias quando soube da promoção de Doug, e, ao voltar, encontrou o jornal em grande agitação.
Doug deveria partir apenas três dias após a chegada de seu substituto. Desde que um grupo de americanos comprou o Globe, o corre-corre virou uma constante, e Demi nem se surpreendeu quando ficou sabendo que o novo chefe viria da Europa. Ela não gostava de americanos, pois em sua opinião costumavam ser impetuosos e mandões e, o que era pior, nunca aceitava um "não" como resposta.
Doug não tinha o direito de falar daquela forma!
— Por acaso ela é alguma bruxa histérica? — perguntou o outro homem com sarcasmo.
— Nada disso! Pelo contrário, tem o corpo mais bem-feito que já vi. Mas ai do pobre diabo que tentar tocá-Ia! Demi tem pavor dos homens. Não quer vê-Ios nem pintados! Sério! Deve ser algum trauma de adolescência.
— Você quer dizer que por causa de uma paixão que não deu certo ela agora sente ódio mortal dos homens? Pelo amor de Deus, o que é isto, Doug, já estamos no século XXI!
— Bem, algumas pessoas levam tudo a sério demais! Estou lhe avisando só para facilitar as coisas! Ela é a melhor secretária que já tive, dá um duro danado e é muito eficiente.
— Até pode ser. Mas se precisa ser tratada com tantos cuidados, acho que está no lugar errado.
Nos últimos meses tinha havido mudanças no jornal, e Demi ficou apavorada com a possibilidade de ser despedida. Não podia nem pensar nisso. Dependia muito do emprego, pois, além de ganhar bem, seu chefe era muito flexível com relação ao horário que ela fazia. Porém Doug estava indo embora e agora ela trabalharia para um homem que já detestava antes mesmo de conhecer.
O intercomunicador tocou, e ela atendeu com frieza.
— Demi, você poderia vir aqui um minuto? — pediu Doug. — Há alguém que eu gostaria que conhecesse.
Ela se levantou, pegando o bloco de anotações e o lápis, como costumava fazer. De pequena estatura, Demi tinha longos cabelos pretos, um rosto oval e grandes olhos castanhos. Sua pele era clara e macia, e as feições, muito delicadas. Só se percebia a amargura em seu olhar quando um homem tentava ofendê-Ia sexualmente. Com vinte e três
anos, era dona de uma tranqüilidade comum a mulheres dez anos mais velhas do que ela. "Fria e insensível" eram dois dos insultos que homens frustrados já haviam lhe dirigido, mas, ao contrário de ofender, eles eram até lisonjeiros. No tocante aos homens, suas emoções estavam enterradas, deixando transparecer, às vezes, um sentimento de profundo rancor. Apesar disso, Doug admirava sua secretária. Fria e calma quando surgia uma emergência, era a pessoa ideal para enfrentá-Ia. Todos os dias trabalhava das oito às dezoito horas e, se necessário, ficava durante o horário de almoço ou até depois do expediente. Em compensação, quando tinha algum problema, Doug mostrava-se sempre compreensivo.
As colegas de Demi brincavam dizendo que ela vivia só para o jornal, sua verdadeira família.
Ao abrir a porta, seu chefe lhe sorriu. Tinha cerca de cinqüenta anos, muita energia e trabalhava em jornais desde que havia se formado. Ele e Demi sempre se deram bem, ou pelo menos era o que pensava até ouvi-Io falar tão abertamente sobre ela. Bem casado, Doug nunca representou ameaça à sua paz de espírito.
Ela lhe retribuiu o sorriso, mas seus olhos continuaram claros e frios como vidro.
O outro homem permaneceu de costas para ela, parecendo não notar sua presença. Tinha os cabelos escuros e espessos, cortados na altura do colarinho da camisa.
— Joe, apresento-lhe sua nova secretária, Demi. Demi... Joe Jonas.
— Demi? — Ele se virou, mostrando-se assustado. Embora aterrorizada, Demi tentou não demonstrar o que sentia. Deixe que ele pense o que quiser! Mas um rápido olhar foi suficiente para perceber que ele não havia mudado em nada. Aquele rosto de traços másculos continuava ainda bastante perturbador. A pele dele estava bronzeada, os cabelos um pouco mais longos e a roupa mais formal.
— Joe precisará de toda sua ajuda até que consiga se adaptar, Demi— disse-lhe Doug, desconhecendo o que ocorria à sua volta. — Vou apresentá-Io aos outros editores e depois iremos almoçar. Qualquer coisa urgente fale com Phil, está bem?

Phil Masters era assistente de Doug, um escocês alto, forte, ruivo e bem-humorado.
Joe estendeu a mão para ela com uma expressão de desprezo e indiferença que acabou se transformando em irritação quando automaticamente Demi se afastou.
Com Doug por perto ela não podia fazer uma cena, mas o toque daqueles dedos frios em sua pele a fez estremecer.
E isso era apenas o começo...
Quando Demi voltou para sua sala, Joe murmurou algo para Doug e a porta foi fechada. O medo que ela pensava não existir mais reapareceu.
— Há quanto tempo Demi trabalha para você? — perguntou Joe, por acaso, enquanto Doug pegava o casaco.
— Há mais ou menos dois anos e meio. A melhor secretária que já tive. Pelo visto você a conhecia, não?
— A princípio pensei que sim. Ela me pareceu uma daquelas mulheres sedutoras que acabam envolvendo os homens só para depois sentir prazer em dispensá-los.
Doug não disse nada. Afinal, o que quer que tivesse havido entre Demi e Joe não era problema dele. Entretanto, pôde perceber que os dois não se entenderiam bem daquele momento em diante.
Ambos saíram do escritório e passaram por Demi, que observou o rosto indiferente de Joe. Depois, ela voltou a olhar para a máquina de escrever e ficou tentando imaginar uma maneira de não pôr mais os olhos em Joe Jonas.
Não havia saída, a não ser que ela desistisse do emprego; coisa impossível, já que precisava de cada centavo daquele salário. Fechou os olhos e subitamente estremeceu de frio.
A porta do escritório foi aberta, e Demi ficou tensa e pálida, esperando pelo pior, mas era apenas Taylor Lautner, um dos subeditores. Costumavam comentar no Globe que, enquanto ela tratava com frieza todos os homens, Taylor era seu único acompanhante masculino.
— Algum problema? — perguntou ele, fitando-a.
Doug costumava referir-se a Taylor como o "cãozinho de estimação" de Demi. Ele era nervoso e introspectivo, e os outros freqüentemente riam dele quando não estava por perto. Certa vez havia confidenciado a Demi que gostaria de ser pintor, mas que seus pais se opuseram na época.
Tinha quase vinte e cinco anos, cabelos escuros e finos e suaves olhos castanho-claros. Havia sido abandonado pela esposa duas semanas após o Natal e agora, passados três meses, ainda esperava que ela voltasse.
— Quer almoçar comigo ou você tem outro compromisso? — perguntou Taylor.
Ela não tinha nada de urgente para fazer e nem estava com fome, mas não podia ficar no escritório pensando em Joe Jonas.
Para sua surpresa, Taylor a levou até um novo restaurante, que tinha se tornado o ponto de encontro dos funcionários do Globe.
No restaurante só havia duas mesas vagas, uma de seis lugares e outra de dois, onde acabaram sentando. Como de costume, Taylor levou uns cinco minutos para escolher o prato, ao contrário de Demi, que fez seu pedido imediatamente.
Quando começaram a comer, a mesa de seis lugares ao lado foi ocupada. Demi sentia que a examinavam, mas recusava-se a olhar. Nesse instante, Taylor se voltou para lhe dizer alguma coisa e derrubou o copo de vinho sobre a saia de lã creme dela. Demi se levantou, tentando limpar a saia, e ao sentar-se viu que os ocupantes da outra mesa eram Doug, Joe e quatro outros editores do jornal.
— Sentem-se aqui — convidou Doug, chamando um garçom para juntar as mesas.
Demi desejou que Taylor recusasse, o que não aconteceu.
Logo em seguida ela se viu sentada entre Doug e Joe, enquanto Taylor havia se acomodado do lado oposto, próximo a Taylor Swift, uma das editoras.
Taylor e Demi nunca tinham sido muito amigas. Taylor era uma mulher de carreira e não fazia segredo da atração que sentia pelo sexo oposto. Comentava-se que ela conhecia intimamente todos os homens atraentes do Globe, e, vendo a maneira como olhava para Joe Jonas, Demi não teve dúvida de que ele logo entraria na lista. Virando-se para Joe, Taylor comentou:
— Há séculos que tento encontrá-lo. Você era uma celebridade por aqui, mesmo depois de ter ido para os Estados Unidos. .
Desde o instante em que Demi havia visto Joe no escritório de Doug, sabia que esse momento desagradável chegaria. Parecia ironia que depois de tanto tempo de pesadelo o         confronto acontecesse quando ela achava que tudo tinha terminado.
— O caso Myers — continuou Taylor — fez história no jornal. É o tipo de furo com que todos os jornalistas sonham. Enquanto o resto da imprensa especulava para que parte do mundo James Myers teria ido, você conseguiu descobrir que ele estava aqui o tempo todo, fazendo-se passar pelo namorado da irmã.
— O caso Myers? — perguntou Doug. — Não era aquele financista trapaceiro que todos diziam haver economizado milhões?
— Sim. Não foi um caso muito agradável — disse Joe friamente. — O homem entregou-se a uma espécie de roubo legal durante anos, mas deu uma escorregada fatal e foi descoberto. Todo mundo sabia o que estava acontecendo, mas ninguém conseguia provar, e, antes que a polícia pudesse formular uma acusação contra ele, surgiu o rumor de que tinha deixado o país.
— Só você não acreditou na viagem dele — comentou Taylor, admirada. — Como descobriu a verdade? Segundo a opinião geral, ele era quase um mestre em disfarces e ficou andando livremente de um lado para o outro durante semanas.
— É verdade. Ele pretendia deixar o país depois que as coisas esfriassem um pouco. Tive sorte.
— E uma ótima informante, se os boatos foram verdadeiros — disse Taylor, rindo. — Você conseguiu a maioria dos detalhes para sua história com a companheira de apartamento da irmã de Myers, não é verdade?
— Eu nunca revelo as minhas fontes.
Demi notou que Doug estava muito impressionado por essa aparente demonstração de lealdade, e se sentiu incomodada ao perceber os olhos de Joe sobre si; não importava que ele fingisse para os outros, ela sabia a verdade!
— Nesse caso você não precisa revelar — disse Taylor. — Eu gostaria de saber o que aconteceu com aquela garota. Até se pensou que ela fosse cúmplice.
— Cúmplice? Mas... — Joe se deteve, e Demi observou o abalo momentâneo com amarga satisfação.

— Certamente você sabe — comentou. Taylor.
— Como editor de um jornal é preciso saber e não simplesmente ir admitindo o que parece óbvio — respondeu Joe.
— Foi uma reportagem muito inteligente — observou Doug, entrando na conversa.
— Inteligente? — Demi retrucou sem conseguir esconder o ódio em sua voz. — É o que todos vocês pensam? Que é inteligente destruir a vida de alguém apenas para conseguir uma história de primeira página? Bem, eu não penso assim. Acho esse tipo de atitude desprezível, abominável! — Ela parou, percebendo que os outros trocavam olhares perplexos.
— Vamos, amor, você não acha que está levando isso para o campo pessoal? — comentou um dos homens.
Por alguns instantes Demi ficou pensativa.
— Algo errado, Demi? — Ken deu ênfase ao nome dela. — Parece que você não está gostando do almoço.
— O almoço está ótimo, mas, se vocês me permitem, eu tenho muito trabalho a fazer — respondeu, levantando-se.
Ela havia se afastado bem pouco da mesa quando ouviu Demi exclamar com triunfo:
— Devonne Walker, este era o nome da garota!
Demi ficou gelada. O medo tomou conta de seu corpo, e ela começou a suar frio.
— Devonne Walker — Joe repetiu, e Demi sabia, mesmo sem olhar para trás, que ele a observava.
Foi com esforço que conseguiu voltar ao escritório e sentar, pois sua vontade era apanhar o casaco e sair antes que Doug e Joe regressassem.
Pegou a lista telefônica e discou o número de uma conhecida agência de empregos. A garota que atendeu foi prestativa, mas informou que talvez levasse meses até que pudesse encontrar uma colocação que fosse tão bem remunerada como a sua atual.
De repente, a vida de Demi havia se transformado num terrível pesadelo. Devonne Walker... Quando deixou esse nome, livrou-se também do passado... Pelo menos durante todo aquele tempo tentou se convencer disso. Havia muitas recordações ainda vivas! Mudou de nome depois que as atenções dos jornais se tornaram insuportáveis. Era irônico que ela agora trabalhasse para um jornal, mas fora mais por necessidade que por vocação. Precisava de um emprego onde pagassem bem e de patrões que estivessem dispostos a contratá-Ia sem se aprofundarem muito em seu passado. Isso ela encontrou em Doug no Daily Globe.
Ainda se sentia mal ao pensar em como tinha sido tola confiando em Joe Jonas. Encontrou-o pela primeira vez no apartamento que dividia com Ashley Myers. Ele havia ido até lá para entrevistar Ashley para um artigo da coluna social.
Demi e Ashley tinham crescido na mesma cidadezinha.
Ashley era a filha mimada do dono de quase toda a cidade, Sr. Arthur Myers, e Demi a conheceu por intermédio de seu pai, que era o médico da família Myers. Haviam freqüentado a mesma escola, mas não eram muito amigas.
Foi somente com a morte do pai e da mãe de Demi, com o intervalo de apenas seis meses entre um e outro, que elas acabaram se aproximando.
O pai de Demi não era rico. Tinha alguns investimentos e a casa que ela vendeu, após a morte dele, seguindo as instruções do advogado. Pretendia ir para a universidade, mas, tendo medo de gastar o pouco dinheiro que possuía, decidiu investir e freqüentar um curso de secretariado. Foi então que Ashley Myers sugeriu que elas dividissem o apartamento. Ashley não pretendia seguir a carreira de secretária; suas ambições nunca foram tão modestas. Os pais lhe pagaram um curso de manequim, do qual ela saiu insinuante e sexy, e o trabalho ocasional como modelo mais a mesada lhe deram um estilo de vida bem diferente do de Demi.
Bem antes de terminar o curso, Demi já estava arrependida de morar com Ashley. Não concordava em participar das festas noturnas, bastante freqüentes, e sentia-se constrangida com os encontros amorosos dela. Mas, como pão podia arcar sozinha com as despesas de um apartamento, era obrigada a suportar tudo aquilo.
Conhecia James Myers apenas de nome. Susan era filha do segundo casamento de Sr. Arthur e, embora se vangloriasse do sucesso do meio-irmão, nunca o levara ao apartamento. Demi não fazia questão de conhecê-Io, pois não gostara das informações que os jornais tinham dado a respeito dele. Mas quando a história explodiu, ninguém acreditou que ela fosse totalmente inocente, e a única pessoa que podia confirmar isso não o fez.
Joe deve ter ficado satisfeito por não encontrar Ashley naquela noite. Demi disse-lhe que ela demoraria a chegar, mas ele não demonstrou a menor pressa em ir embora. Eles conversaram bastante e, pela primeira vez desde que seus pais tinham morrido, ela não se sentiu completamente sozinha. Quando Joe a convidou para sair, não hesitou em aceitar e nem suspeitou que as perguntas dele tivessem outro interesse como objetivo.
Certa noite, ele a levou para jantar e, quando voltaram, encontraram Ashley e o novo "namorado" no apartamento.
Os jornais diziam que James Myers era um verdadeiro mestre em disfarces e certamente nunca passou pela cabeça de Demi que aquele rapaz fosse o irmão de Ashley. Ele ia freqüentemente ao apartamento, e os dois sempre se trancavam no quarto dela. Qualquer coisa que porventura Joe tenha lhe perguntado a respeito de Susan e do "namorado", Demi inocentemente deve ter lhe respondido. Foi ela quem lhe informou, por exemplo, que Ashley estava de partida para o exterior, para fazer um trabalho corno modelo, sem ao menos sonhar que se tratava apenas de urna cobertura para que James Myers pudesse sair do país com passaporte e documentos falsos.
Naquela noite, lembrava-se bem, Joe fora bastante amoroso. Eles saíram da cidade e passaram para beber um suco num barzinho às margens do Tâmisa. Fazia calor, e ela estava usando uma camiseta de malha fina e urna bonita saia de algodão. De repente, Joe passou um dos dedos pelo decote da camiseta, tocando-a nos seios e deixando-a muito excitada.
Como podia alguém tão atraente se interessar por ela? No carro, ele a puxou para junto de si com uma intimidade que fez com que estremecesse. Nem por um momento Demi teve dúvidas do que estava sentindo. Quando Joe a beijou, ela correspondeu, confiando completamente nele.
Voltaram ao apartamento em silêncio. Foi então que tudo aconteceu... O corpo de Demi estava leve e seus olhos cheios de amor quando ela o encarou. Mais tarde, se lembraria de como Joe havia estacionado o carro e dito apaixonadamente: "Não me olhe assim..." Que tola tinha sido ao pensar que, olhando-o daquele jeito, ele não seria capaz de se controlar! Se soubesse! Durante todo o tempo Joe fora um ótimo ator, frio e calculista, manipulando-a como uma marionete.
O apartamento estava vazio. Ashley tinha ido visitar a família no fim de semana, pois seu pai não estava passando bem.
Joe tomou Demi nos braços, beijando-a com uma paixão que a deixou indefesa. Ela se recordava de ter protestado, dizendo que ia fazer café, mas Joe sorriu e lhe falou que tinha outros planos em mente.
A mão forte escorregou para dentro da camiseta e começou a acariciar os seios dela. Quando Joe abaixou a alça e beijou a pele que antes havia percorrido com suavidade, Demi estremeceu.
— Você é linda — disse ele ao mesmo tempo em que a despia.
Ela sabia que não estava agindo certo, mas os argumentos que tinha eram pouco convincentes. Como poderia ser errado aquilo que sentia em relação a Joe? Tudo era maravilhoso...
Demi não se lembrava de como foram para o quarto, mas recordava claramente do calor do corpo de Joe contra o seu; da sensação diferente que a masculinidade dele provocava a cada novo toque; da necessidade que crescia e se espalhava por todo seu corpo, deixando-a trêmula de tanto desejo.
O pensamento de posse não a amedrontou, as maneiras suaves de Joe tinham afastado esse medo. Mas ela não esperava aquele repentino desejo que tomou conta dela, afastando todas as barreiras da inocência e inexperiência.
Joe a acariciava suavemente, levando-a a uma loucura incontrolável, antes de possuí-Ia completamente. A dor era intensa e profunda, e Demi gritou para que ele parasse, mas seu grito foi ignorado. Por um momento a dor e a mágoa se transformaram em ressentimento, e ela começou a lutar contra aquele domínio. Mas, como se Joe já esperasse por isso, o corpo dele a fez sentir depois da dor o prazer, um prazer que Demi nunca havia conhecido, e seus gritos tornaram-se vagarosamente murmúrios de desejo.

Ela adormeceu nos braços dele, tendo certeza de que não havia felicidade maior. Não se envergonhava do que acontecera. Tinha sido natural e bonito, e Demi sentiu-se gratificada pela paciência e habilidade de Joe.
Na manhã seguinte, ela ainda experimentava as mesmas sensações, mas num clima diferente. Enquanto dormia, Joe havia revistado o apartamento e descoberto a falsa identidade de James Myers. Ele conseguiu a primeira página do jornal, e Demi só ficou sabendo disso quando chegou ao serviço.
Viu o artigo e reconheceu o nome Myers assim que começou a lê-Io. A matéria estava assinada por Joe, e ela ficou tão abalada que seu chefe a dispensou. Quando chegou ao apartamento, havia vários repórteres e policiais e nenhum deles a tratou com gentileza. Os jornais a descreviam como "a informante de Joe".
Ashley voltou do campo com os pais, e Sr. Arthur fora extremamente rude ao usar a influência que tinha. No fim da semana, o chefe pediu para que Demi arrumasse outro emprego. Ela trabalhava num escritório de advocacia e, como ele disse, com grande embaraço, os clientes não confiariam numa firma cuja funcionária tivesse traído a confiança de amigos.
Ela sentiu vontade de esclarecer todo o equívoco, porém seu orgulho era mais forte e permaneceu calada. Seu único crime foi imaginar-se amada, pois jamais diria uma palavra que pudesse quebrar a confiança de alguém.
A polícia a interrogou exaustivamente. E quando Sr. Arthur morreu de um ataque cardíaco, logo após ter ido para o tribunal, Demi recebeu uma avalanche de cartas terrivelmente acusadoras. Foi quando decidiu trocar de nome.
Por três meses viveu num verdadeiro inferno e daquela época em diante não ouviu mais falar de Joe. Tampouco tentou encontrá-Io. Apenas o orgulho tinha lhe dado forças para atravessar aquela fase, mas a confiança em si e a inocência nunca mais voltariam...
A porta foi aberta, apagando o passado. Demi desviou os olhos da lista telefônica para olhar Joe. Ela correu o dedo pela lista até parar numa agência de empregos.
 — Você está sem sorte? — ele perguntou sarcasticamente.
Demi tentou não responder; fechou a lista e colocou uma folha na máquina.
— Desculpe Sr. Jonas.
— Sr. Jonas? Nós não precisamos ser tão formais, Devonne!
— Não me chame assim! — gritou ela.
— Por que não? Esse não é o seu nome?
— Não é mais. Eu o enterrei, com o passado.
— Muito bem. Diga-me, Demi, você trouxe alguma coisa da Devonne com você, quando resolveu mudar sua personalidade?
— Nada — afirmou. Por que ele queria relembrar um passado que ela tanto desejava esquecer?
— É uma pena! Pelo menos ela era quente... Uma mulher viva.
— Que você matou!
— Por que está dizendo isso?
Quanta inocência pensou amargurada. Como ele podia perguntar-lhe isso? Não a tinha usado friamente até conseguir a história que lhe interessava e depois a abandonara?  Ken sabia como ela se sentia em relação a ele, nunca fora segredo. Ele era inteligente, devia imaginar como ela reagiria, e quanto ficara angustiada. Demi soube por intermédio de um fotógrafo que trabalhava com Joe, num encontro casual três meses depois, que ele havia partido para o exterior e que a carreira dele estava no auge.
— Quer dizer que não ficou nada do passado? — insistiu Joe.
Ele a olhava intensamente. O que ele queria agora? Demi tentava imaginar.
— Nada.
— Não minta Demi! — gritou ele, com raiva. — Eu vi seu rosto quando você entrou no escritório. Você me odeia, não é?
— É lógico! O que você esperava? Depois de tudo o que me fez...
Ele a observou por alguns instantes e depois continuou:
— Você está certa. A Devonne que conheci não teria ficado tão ressentida nem teria se tornado tão amarga. A Devonne que pensei conhecer nunca... — Ele parou de falar e se aproximou dela, encarando-a.
Demi pensou notar algum tipo de emoção nos olhos dele que, se existiu, desapareceu instantaneamente. .
— Você está segura de si. Já disse o que queria, mas eu não pretendo trabalhar com uma secretária que olha para mim desse jeito. Por isso, se eu fosse você, procuraria mudar de idéia. — Indo em direção à porta, continuou: — Pelo menos uma coisa não mudou se é que as fofocas são verdadeiras. Parece que você ainda sente prazer em chutar os homens, com uma única e notável exceção.
Demi engoliu em seco ao ouvir aquela acusação e ao perceber o sorriso cínico que acompanhou as últimas palavras dele. Ia pedir uma explicação, quando Joe prosseguiu:
— Parece que você não vai mudar em relação a mim, Demi. Você me odeia e me despreza certo?
Como ela não respondesse, ele perguntou:
— Por isso você acabou escolhendo Taylor? Ele não é um homem... É um palerma!
Demi empalideceu, e ao erguer o olhar viu Joe saindo da sala. Não conseguiu conter as lágrimas.