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domingo, 18 de dezembro de 2011

One's Heart

Demetria sempre fora apaixonada por Joseph, desde que o viu pela primeira vez, no jardim de infância, quieto, brincando com sua coleção de figurinhas.
Embora sempre achasse que todo esse sentimento não passasse de uma paixão infantil, e que com o passar do tempo esvairia-se, passou a mudar seu modo de pensar, quando se deu por conta que já haviam se passado cerca de 18 anos, e o seu amor pelo garoto meigo, dos cabelos longos continuava intacto.
Joseph era o garoto prodígio da escola. Todos os alunos disputavam para estar ao seu lado. O tempo havia o feito muito bem. O pequeno e meio garoto que Demetria se apaixonara já não era mais o mesmo, havia crescido, e mudado. Joe, como os amigos e seguidores passaram a lhe chamar, era namorado de Lívia, uma esnobe, e sem piedade.
Já Demetria, continuara sendo a menina timidade e estudiosa da classe, professor algum reclamava por te-la como aluna, mas que na verdade não era a verdadeira vida que a garota gostaria de ter.
O dia amanhecia, o sol raiava explendorosamente lá fora, e o canto suave dos pássaros sobre sua janela acordaram Demetria. Por mais tedioso que fossem os dias, bastava o pensamente de que Joe estaria uma classe ao lado da sua, fazia com que todos os sentimentos ruins que a tomasse simplesmente sumissem, e em um estalar de dedos, a garota se via suspirando, e sorrindo contagiantemente.
Mas aquela manha algo parecia diferente, algo incomum passava-se dentro de Demetria. Algo a perturbava, uma sensação incomoda, que a deixou inquieta e pensativa a aula toda.
Enquanto Demetria assimilava a explosão de sentimentos que a perturbavam, escutou alguém berrar insistentemente seu nome.
- Demetria, Demetria! – Era seu professor, Antonio, que sem entender a desatenção da menina, a chacoalhava pelo ombro.

Demi acordou de seu pesadelo imediatamente, ao som dos risos da classe inteira, exceto de Joseph, que a fitava atentamente, lendo suas feições.
- Me desculpe professor, estava no mundo da lua. – disse a garota constrangida, sentindo suas bochechas corarem. 
- Ótimo, agora trate de voltar para a terra, e me dar o resultado do primeiro problema! 
As palavras do professor causaram risos gerais na classe, Demetria apenas afundou-se na cadeira e começou a resolver os complicados problemas de álgebra.
A aula parece passar voando, quando sua mente esta ocupada pensando em algo ruim.
O sinal soou, e todos os alunos começaram a sair, exceto Demetria, que continuará ali, intacta, olhando para o nada.
Alguns segundos se passaram e a garota perceberá que havia ficado só dentro da gigantesca sala de aula. Vagarosamente pegou seus cadernos, e os atirou em sua mochila, sem cuidado algum.
O corredor da escola ainda parecia tumultuado. Demetria respirou fundo, e andou, fitando o chão, em meio à multidão de adolescentes frenéticos e apressados. 
Quando estava perto da saída, algo arremessou bruscamente a garota e seus cadernos violentamente contra o chão. Demetria, assustada, e sem entender, olhou lentamente para cima, e deu de cara com Joe, e alguns de seus amigos, rindo e caçoando da garota.
- Terra chamando nerd! – gritavam eles, principalmente Joseph.
Naquele instante, seu mundo parou. Tudo em sua frente pareceu escurecer, e as lagrimas em seus olhos pareciam incontroláveis, e Demetria fez questão de mostrá-las, de mostrar para Joseph a dor que a tomava. As palavras do garoto eram como uma barra de fero, cravando sem piedade bem em meio a seu peito, e repetindo centenas de vezes em sua cabeça, sem parar. A dor que Demetria sentia naquele momento era maior do que a dor de qualquer ferimento, era uma dor que nada curaria.

A garota ajuntou seus cadernos e correu. Correu o maximo que pode, sentindo apenas os olhares curiosos deixados para trás.
Joseph continuou ali, parado, sem ação, apena as imagens de Demetria, soluçando, sobre o chão, como se algo a ferisse, fitando seu rosto, de modo desesperado, angustiado. O garoto parecia sentir a dor que Demi sentiu, e certamente, sentia naquele momento, o remorso era algo inevitável em seu peito. 
A dor que o coroia por dentro era insuportável. A vontade de abraçar e amparar a pequena e frágil menina, caída sobre o chão, tomada de dolorosas lagrimas era maior do que o próprio. Quando finalmente pode recuperar-se, sua única atitude foi afastar-se de seus amigos e correr atrás de Demetria, que sumia cada vez mais de seu olhar.
Joe gritava desesperadamente o nome da garota, que corria cada vez mais. 
Seus pés pareciam presos ao chão, e quando mais andava, mais Demetria parecia se distanciar, restava-lhe apenas o reflexo de seus cabelos esvoaçando ao vento, iluminado a visão de Joseph.
Sua respiração já estava irregular, sua cabeça girava loucamente e seus olhos pareciam cansados demais para enxergar a centímetros sequer.
Suas pernas, cederam-se, já sem forças para continuar e tremulas demais para dar um mínimo passo. 
Ao chocar-se com o chão, Joe ouviu três estrondosos disparos. Seu coração de imediato pareceu parar de bater. Rapidamente se viu em pé. Correu com toda a força que lhe restava, que mesmo sendo tão pouco, pareceu redobrar-se.
Havia acontecido oque previa. Quando dobrou a rua, uma multidão aglomerava-se em circulo, rodeando algo. Joe, sem pensar em ser gentil, ou algo de tipo com as pessoas, que curiosamente, pararam, correu em direção ao centro, empurrando todos que por sua frente passavam.

Demetria, sua Demetria, estava ali, estirada sobre o chão, tão frágil e sem proteção, com seu corpo coberto de sangue.
Seu mundo pareceu desabar. O verdadeiro amor de Joe, aquele pelo qual havia mantido em segredo durante cerca de 17 anos, corria risco de vida, e tudo oque passava por sua cabeça era a dor de que por sua culpa, poderia perder o grande amor de sua vida. 
Pela segunda vez consecutiva, seus joelhos cederam-se, e Joe abraçou-se ao corpo ensangüentado de sua frágil Demetria, e chorou. Seus olhos nunca haviam visto tantas lagrimas. Seu coração estava em pedaços, como sua alma, pequenos e míseros pedaços, irreconstituiveis. 
Seus gritos angustiados suplicavam por socorro. O corpo de Demetria debruçado sobre seus braços, temendo ouvir suas pulsações.
- Demi, abra seus olhos, mantenha seu coração batendo, não me deixe, por favor, não me deixe! Abra seus olhos, eu estou aqui, olhe para mim! – gritava desesperadamente Joe. Seus lábios tocaram-nos da garota. – Eu te amo Demetria, não me deixe, eu preciso de você aqui, fique comigo, abra seus olhos. 
As lagrimas joravam de seus olhos sem cessar um momento sequer. Joe podia sentir que seu coração já estava só, seus corações, que batiam os dois em um só já não eram mais assim, pois Demetria o deixará, seu coração acabará de parar de bater.
As sirenes soavam, o som do desespero, o som da dor, audível a quilômetros de distancia.
Os homens de branco, carregando o amor de sua vida para dentro de uma ambulância. Os choques que faziam seu corpo tremular, saltar, obrigando seu coração voltar a bater. Mas tudo, tudo parecia em vão. Novamente seu corpo foi tomado pelos choques, em vão. Seus olhos pareciam não querer se abrir, seu coração ferido não queria voltar a bater. O som dos aparelhos por todo o seu corpo, o som de seu coração, em linha reta. Seu corpo tremulando, e quando as tentativas eram sempre invalidas.

O silencio tomou o local, os médicos haviam desistido nada mais poderiam fazer seu coração já havia parado, e por mais que tentassem, parecia negar-se a voltar a reagir. 
O desespero tomou conta definitivamente de Joseph, que indo contra a ordem dos enfermeiros, debruçou-se contra o corpo de Demetria, e chorou, gritando desesperadamente, e inundando ao seu redor com lagrimas, cada lagrima dotada da dor que ardia sem cessar em seu peito, uma dor que o matava aos poucos, que o fazia sofrer.
- Demi, volte não me deixe aqui, eu não quero viver em um mundo em que você não esteja nele! Abra seus olhos, faça seu coração bater, tenha forças, eu estou com você, sei que você pode, volte pra mim, não me deixe aqui sozinho, você é tudo oque eu tenho, oque me dá forças pra viver. Eu te amo Demetria, não me deixe, eu te amo. – Joe beijou novamente Demetria, derramando suas lagrimas sobre ela, a beijou como se fosse o ultimo instante de sua vida, mas nada sentiu, Demetria, sua Demetria não estava mais ali, apenas um corpo.
Estava tudo acabado, sua vida estava acabada. O garoto, sem rumo, em choque, deu-se por vencido, apesar da dor que alastrava-o por dentro, arrastado pelos ‘homens de branco’, afastou-se de Demetria. Seu coração gritava ‘não desista do seu grande amor’, mas ele nada mais podia fazer. 
Quando Joe virou-se para o corpo de Demetria, o som de seu coração voltou a soar. Os aparelhos sobre seu corpo voltaram a sentir seus batimentos, seu coração havia voltado a bater, sua Demetria não havia o deixado, seu coração não estava mais só, seu coração finalmente havia recuperado o motivo para continuar a bater.




Às vezes procuramos tanto pelo que chamamos de amor, e não nos damos conta que ele pode estar mais perto do que esperamos. Procuramos algo que talvez nem seja oque verdadeiramente queremos, apenas uma mascara, e assim, nos escondemos por anos, pensando que não é esse o verdadeiro sentimento que há dentro de nós. Às vezes não nos damos por conta, do quanto agimos errado, a julgar sem conhecer, a sentir-se bem ao humilhar pessoas que simplesmente nunca nos fizeram mal. Criticamos pessoas, brigamos, e só nos damos conta do quanto elas são importantes quando elas não estão mais conosco.
FIM 

domingo, 11 de dezembro de 2011

Jemi - Amarga Traição

CAPITULO I

Demi Lovato entrou no escritório do Daily Globe carregando uma bandeja com duas xícaras, um bule de chá, leite e açúcar. Abriu a porta de sua sala e viu um casaco masculino jogado na cadeira. Doug Simons, seu chefe, sempre recebia visitas, mas as pessoas que freqüentavam o escritório não usavam casacos tão bem talhados e caros como aquele. Demi colocou a bandeja sobre a mesa e notou que a porta que dava para a sala de Doug estava entreaberta.
— E claro que depois de ter trabalhado no Telegraph você não encontrará dificuldade por aqui — ele falava.
— Está querendo me dizer que eu poderia ter algum tipo de problema?
— Estou me referindo a Demi.
— Demi?
— Minha secretária — acrescentou Doug. — Agora, sua. No começo talvez lhe dê um pouco de trabalho... Até que ela se acostume com você.
— Talvez me dê trabalho? Meu Deus, não é de admirar que suas vendas estejam caindo! Você permite que sua secretária lhe dê ordens?
Ao ouvir essas palavras insolentes, Demi sentiu vontade de entrar na sala de Doug e exigir que lhe explicasse por que achava necessário dizer a seu substituto que ele poderia ter "problemas". Afinal, ela era a secretária mais eficiente daquele lugar!
Demi estava de férias quando soube da promoção de Doug, e, ao voltar, encontrou o jornal em grande agitação.
Doug deveria partir apenas três dias após a chegada de seu substituto. Desde que um grupo de americanos comprou o Globe, o corre-corre virou uma constante, e Demi nem se surpreendeu quando ficou sabendo que o novo chefe viria da Europa. Ela não gostava de americanos, pois em sua opinião costumavam ser impetuosos e mandões e, o que era pior, nunca aceitava um "não" como resposta.
Doug não tinha o direito de falar daquela forma!
— Por acaso ela é alguma bruxa histérica? — perguntou o outro homem com sarcasmo.
— Nada disso! Pelo contrário, tem o corpo mais bem-feito que já vi. Mas ai do pobre diabo que tentar tocá-Ia! Demi tem pavor dos homens. Não quer vê-Ios nem pintados! Sério! Deve ser algum trauma de adolescência.
— Você quer dizer que por causa de uma paixão que não deu certo ela agora sente ódio mortal dos homens? Pelo amor de Deus, o que é isto, Doug, já estamos no século XXI!
— Bem, algumas pessoas levam tudo a sério demais! Estou lhe avisando só para facilitar as coisas! Ela é a melhor secretária que já tive, dá um duro danado e é muito eficiente.
— Até pode ser. Mas se precisa ser tratada com tantos cuidados, acho que está no lugar errado.
Nos últimos meses tinha havido mudanças no jornal, e Demi ficou apavorada com a possibilidade de ser despedida. Não podia nem pensar nisso. Dependia muito do emprego, pois, além de ganhar bem, seu chefe era muito flexível com relação ao horário que ela fazia. Porém Doug estava indo embora e agora ela trabalharia para um homem que já detestava antes mesmo de conhecer.
O intercomunicador tocou, e ela atendeu com frieza.
— Demi, você poderia vir aqui um minuto? — pediu Doug. — Há alguém que eu gostaria que conhecesse.
Ela se levantou, pegando o bloco de anotações e o lápis, como costumava fazer. De pequena estatura, Demi tinha longos cabelos pretos, um rosto oval e grandes olhos castanhos. Sua pele era clara e macia, e as feições, muito delicadas. Só se percebia a amargura em seu olhar quando um homem tentava ofendê-Ia sexualmente. Com vinte e três
anos, era dona de uma tranqüilidade comum a mulheres dez anos mais velhas do que ela. "Fria e insensível" eram dois dos insultos que homens frustrados já haviam lhe dirigido, mas, ao contrário de ofender, eles eram até lisonjeiros. No tocante aos homens, suas emoções estavam enterradas, deixando transparecer, às vezes, um sentimento de profundo rancor. Apesar disso, Doug admirava sua secretária. Fria e calma quando surgia uma emergência, era a pessoa ideal para enfrentá-Ia. Todos os dias trabalhava das oito às dezoito horas e, se necessário, ficava durante o horário de almoço ou até depois do expediente. Em compensação, quando tinha algum problema, Doug mostrava-se sempre compreensivo.
As colegas de Demi brincavam dizendo que ela vivia só para o jornal, sua verdadeira família.
Ao abrir a porta, seu chefe lhe sorriu. Tinha cerca de cinqüenta anos, muita energia e trabalhava em jornais desde que havia se formado. Ele e Demi sempre se deram bem, ou pelo menos era o que pensava até ouvi-Io falar tão abertamente sobre ela. Bem casado, Doug nunca representou ameaça à sua paz de espírito.
Ela lhe retribuiu o sorriso, mas seus olhos continuaram claros e frios como vidro.
O outro homem permaneceu de costas para ela, parecendo não notar sua presença. Tinha os cabelos escuros e espessos, cortados na altura do colarinho da camisa.
— Joe, apresento-lhe sua nova secretária, Demi. Demi... Joe Jonas.
— Demi? — Ele se virou, mostrando-se assustado. Embora aterrorizada, Demi tentou não demonstrar o que sentia. Deixe que ele pense o que quiser! Mas um rápido olhar foi suficiente para perceber que ele não havia mudado em nada. Aquele rosto de traços másculos continuava ainda bastante perturbador. A pele dele estava bronzeada, os cabelos um pouco mais longos e a roupa mais formal.
— Joe precisará de toda sua ajuda até que consiga se adaptar, Demi— disse-lhe Doug, desconhecendo o que ocorria à sua volta. — Vou apresentá-Io aos outros editores e depois iremos almoçar. Qualquer coisa urgente fale com Phil, está bem?

Phil Masters era assistente de Doug, um escocês alto, forte, ruivo e bem-humorado.
Joe estendeu a mão para ela com uma expressão de desprezo e indiferença que acabou se transformando em irritação quando automaticamente Demi se afastou.
Com Doug por perto ela não podia fazer uma cena, mas o toque daqueles dedos frios em sua pele a fez estremecer.
E isso era apenas o começo...
Quando Demi voltou para sua sala, Joe murmurou algo para Doug e a porta foi fechada. O medo que ela pensava não existir mais reapareceu.
— Há quanto tempo Demi trabalha para você? — perguntou Joe, por acaso, enquanto Doug pegava o casaco.
— Há mais ou menos dois anos e meio. A melhor secretária que já tive. Pelo visto você a conhecia, não?
— A princípio pensei que sim. Ela me pareceu uma daquelas mulheres sedutoras que acabam envolvendo os homens só para depois sentir prazer em dispensá-los.
Doug não disse nada. Afinal, o que quer que tivesse havido entre Demi e Joe não era problema dele. Entretanto, pôde perceber que os dois não se entenderiam bem daquele momento em diante.
Ambos saíram do escritório e passaram por Demi, que observou o rosto indiferente de Joe. Depois, ela voltou a olhar para a máquina de escrever e ficou tentando imaginar uma maneira de não pôr mais os olhos em Joe Jonas.
Não havia saída, a não ser que ela desistisse do emprego; coisa impossível, já que precisava de cada centavo daquele salário. Fechou os olhos e subitamente estremeceu de frio.
A porta do escritório foi aberta, e Demi ficou tensa e pálida, esperando pelo pior, mas era apenas Taylor Lautner, um dos subeditores. Costumavam comentar no Globe que, enquanto ela tratava com frieza todos os homens, Taylor era seu único acompanhante masculino.
— Algum problema? — perguntou ele, fitando-a.
Doug costumava referir-se a Taylor como o "cãozinho de estimação" de Demi. Ele era nervoso e introspectivo, e os outros freqüentemente riam dele quando não estava por perto. Certa vez havia confidenciado a Demi que gostaria de ser pintor, mas que seus pais se opuseram na época.
Tinha quase vinte e cinco anos, cabelos escuros e finos e suaves olhos castanho-claros. Havia sido abandonado pela esposa duas semanas após o Natal e agora, passados três meses, ainda esperava que ela voltasse.
— Quer almoçar comigo ou você tem outro compromisso? — perguntou Taylor.
Ela não tinha nada de urgente para fazer e nem estava com fome, mas não podia ficar no escritório pensando em Joe Jonas.
Para sua surpresa, Taylor a levou até um novo restaurante, que tinha se tornado o ponto de encontro dos funcionários do Globe.
No restaurante só havia duas mesas vagas, uma de seis lugares e outra de dois, onde acabaram sentando. Como de costume, Taylor levou uns cinco minutos para escolher o prato, ao contrário de Demi, que fez seu pedido imediatamente.
Quando começaram a comer, a mesa de seis lugares ao lado foi ocupada. Demi sentia que a examinavam, mas recusava-se a olhar. Nesse instante, Taylor se voltou para lhe dizer alguma coisa e derrubou o copo de vinho sobre a saia de lã creme dela. Demi se levantou, tentando limpar a saia, e ao sentar-se viu que os ocupantes da outra mesa eram Doug, Joe e quatro outros editores do jornal.
— Sentem-se aqui — convidou Doug, chamando um garçom para juntar as mesas.
Demi desejou que Taylor recusasse, o que não aconteceu.
Logo em seguida ela se viu sentada entre Doug e Joe, enquanto Taylor havia se acomodado do lado oposto, próximo a Taylor Swift, uma das editoras.
Taylor e Demi nunca tinham sido muito amigas. Taylor era uma mulher de carreira e não fazia segredo da atração que sentia pelo sexo oposto. Comentava-se que ela conhecia intimamente todos os homens atraentes do Globe, e, vendo a maneira como olhava para Joe Jonas, Demi não teve dúvida de que ele logo entraria na lista. Virando-se para Joe, Taylor comentou:
— Há séculos que tento encontrá-lo. Você era uma celebridade por aqui, mesmo depois de ter ido para os Estados Unidos. .
Desde o instante em que Demi havia visto Joe no escritório de Doug, sabia que esse momento desagradável chegaria. Parecia ironia que depois de tanto tempo de pesadelo o         confronto acontecesse quando ela achava que tudo tinha terminado.
— O caso Myers — continuou Taylor — fez história no jornal. É o tipo de furo com que todos os jornalistas sonham. Enquanto o resto da imprensa especulava para que parte do mundo James Myers teria ido, você conseguiu descobrir que ele estava aqui o tempo todo, fazendo-se passar pelo namorado da irmã.
— O caso Myers? — perguntou Doug. — Não era aquele financista trapaceiro que todos diziam haver economizado milhões?
— Sim. Não foi um caso muito agradável — disse Joe friamente. — O homem entregou-se a uma espécie de roubo legal durante anos, mas deu uma escorregada fatal e foi descoberto. Todo mundo sabia o que estava acontecendo, mas ninguém conseguia provar, e, antes que a polícia pudesse formular uma acusação contra ele, surgiu o rumor de que tinha deixado o país.
— Só você não acreditou na viagem dele — comentou Taylor, admirada. — Como descobriu a verdade? Segundo a opinião geral, ele era quase um mestre em disfarces e ficou andando livremente de um lado para o outro durante semanas.
— É verdade. Ele pretendia deixar o país depois que as coisas esfriassem um pouco. Tive sorte.
— E uma ótima informante, se os boatos foram verdadeiros — disse Taylor, rindo. — Você conseguiu a maioria dos detalhes para sua história com a companheira de apartamento da irmã de Myers, não é verdade?
— Eu nunca revelo as minhas fontes.
Demi notou que Doug estava muito impressionado por essa aparente demonstração de lealdade, e se sentiu incomodada ao perceber os olhos de Joe sobre si; não importava que ele fingisse para os outros, ela sabia a verdade!
— Nesse caso você não precisa revelar — disse Taylor. — Eu gostaria de saber o que aconteceu com aquela garota. Até se pensou que ela fosse cúmplice.
— Cúmplice? Mas... — Joe se deteve, e Demi observou o abalo momentâneo com amarga satisfação.

— Certamente você sabe — comentou. Taylor.
— Como editor de um jornal é preciso saber e não simplesmente ir admitindo o que parece óbvio — respondeu Joe.
— Foi uma reportagem muito inteligente — observou Doug, entrando na conversa.
— Inteligente? — Demi retrucou sem conseguir esconder o ódio em sua voz. — É o que todos vocês pensam? Que é inteligente destruir a vida de alguém apenas para conseguir uma história de primeira página? Bem, eu não penso assim. Acho esse tipo de atitude desprezível, abominável! — Ela parou, percebendo que os outros trocavam olhares perplexos.
— Vamos, amor, você não acha que está levando isso para o campo pessoal? — comentou um dos homens.
Por alguns instantes Demi ficou pensativa.
— Algo errado, Demi? — Ken deu ênfase ao nome dela. — Parece que você não está gostando do almoço.
— O almoço está ótimo, mas, se vocês me permitem, eu tenho muito trabalho a fazer — respondeu, levantando-se.
Ela havia se afastado bem pouco da mesa quando ouviu Demi exclamar com triunfo:
— Devonne Walker, este era o nome da garota!
Demi ficou gelada. O medo tomou conta de seu corpo, e ela começou a suar frio.
— Devonne Walker — Joe repetiu, e Demi sabia, mesmo sem olhar para trás, que ele a observava.
Foi com esforço que conseguiu voltar ao escritório e sentar, pois sua vontade era apanhar o casaco e sair antes que Doug e Joe regressassem.
Pegou a lista telefônica e discou o número de uma conhecida agência de empregos. A garota que atendeu foi prestativa, mas informou que talvez levasse meses até que pudesse encontrar uma colocação que fosse tão bem remunerada como a sua atual.
De repente, a vida de Demi havia se transformado num terrível pesadelo. Devonne Walker... Quando deixou esse nome, livrou-se também do passado... Pelo menos durante todo aquele tempo tentou se convencer disso. Havia muitas recordações ainda vivas! Mudou de nome depois que as atenções dos jornais se tornaram insuportáveis. Era irônico que ela agora trabalhasse para um jornal, mas fora mais por necessidade que por vocação. Precisava de um emprego onde pagassem bem e de patrões que estivessem dispostos a contratá-Ia sem se aprofundarem muito em seu passado. Isso ela encontrou em Doug no Daily Globe.
Ainda se sentia mal ao pensar em como tinha sido tola confiando em Joe Jonas. Encontrou-o pela primeira vez no apartamento que dividia com Ashley Myers. Ele havia ido até lá para entrevistar Ashley para um artigo da coluna social.
Demi e Ashley tinham crescido na mesma cidadezinha.
Ashley era a filha mimada do dono de quase toda a cidade, Sr. Arthur Myers, e Demi a conheceu por intermédio de seu pai, que era o médico da família Myers. Haviam freqüentado a mesma escola, mas não eram muito amigas.
Foi somente com a morte do pai e da mãe de Demi, com o intervalo de apenas seis meses entre um e outro, que elas acabaram se aproximando.
O pai de Demi não era rico. Tinha alguns investimentos e a casa que ela vendeu, após a morte dele, seguindo as instruções do advogado. Pretendia ir para a universidade, mas, tendo medo de gastar o pouco dinheiro que possuía, decidiu investir e freqüentar um curso de secretariado. Foi então que Ashley Myers sugeriu que elas dividissem o apartamento. Ashley não pretendia seguir a carreira de secretária; suas ambições nunca foram tão modestas. Os pais lhe pagaram um curso de manequim, do qual ela saiu insinuante e sexy, e o trabalho ocasional como modelo mais a mesada lhe deram um estilo de vida bem diferente do de Demi.
Bem antes de terminar o curso, Demi já estava arrependida de morar com Ashley. Não concordava em participar das festas noturnas, bastante freqüentes, e sentia-se constrangida com os encontros amorosos dela. Mas, como pão podia arcar sozinha com as despesas de um apartamento, era obrigada a suportar tudo aquilo.
Conhecia James Myers apenas de nome. Susan era filha do segundo casamento de Sr. Arthur e, embora se vangloriasse do sucesso do meio-irmão, nunca o levara ao apartamento. Demi não fazia questão de conhecê-Io, pois não gostara das informações que os jornais tinham dado a respeito dele. Mas quando a história explodiu, ninguém acreditou que ela fosse totalmente inocente, e a única pessoa que podia confirmar isso não o fez.
Joe deve ter ficado satisfeito por não encontrar Ashley naquela noite. Demi disse-lhe que ela demoraria a chegar, mas ele não demonstrou a menor pressa em ir embora. Eles conversaram bastante e, pela primeira vez desde que seus pais tinham morrido, ela não se sentiu completamente sozinha. Quando Joe a convidou para sair, não hesitou em aceitar e nem suspeitou que as perguntas dele tivessem outro interesse como objetivo.
Certa noite, ele a levou para jantar e, quando voltaram, encontraram Ashley e o novo "namorado" no apartamento.
Os jornais diziam que James Myers era um verdadeiro mestre em disfarces e certamente nunca passou pela cabeça de Demi que aquele rapaz fosse o irmão de Ashley. Ele ia freqüentemente ao apartamento, e os dois sempre se trancavam no quarto dela. Qualquer coisa que porventura Joe tenha lhe perguntado a respeito de Susan e do "namorado", Demi inocentemente deve ter lhe respondido. Foi ela quem lhe informou, por exemplo, que Ashley estava de partida para o exterior, para fazer um trabalho corno modelo, sem ao menos sonhar que se tratava apenas de urna cobertura para que James Myers pudesse sair do país com passaporte e documentos falsos.
Naquela noite, lembrava-se bem, Joe fora bastante amoroso. Eles saíram da cidade e passaram para beber um suco num barzinho às margens do Tâmisa. Fazia calor, e ela estava usando uma camiseta de malha fina e urna bonita saia de algodão. De repente, Joe passou um dos dedos pelo decote da camiseta, tocando-a nos seios e deixando-a muito excitada.
Como podia alguém tão atraente se interessar por ela? No carro, ele a puxou para junto de si com uma intimidade que fez com que estremecesse. Nem por um momento Demi teve dúvidas do que estava sentindo. Quando Joe a beijou, ela correspondeu, confiando completamente nele.
Voltaram ao apartamento em silêncio. Foi então que tudo aconteceu... O corpo de Demi estava leve e seus olhos cheios de amor quando ela o encarou. Mais tarde, se lembraria de como Joe havia estacionado o carro e dito apaixonadamente: "Não me olhe assim..." Que tola tinha sido ao pensar que, olhando-o daquele jeito, ele não seria capaz de se controlar! Se soubesse! Durante todo o tempo Joe fora um ótimo ator, frio e calculista, manipulando-a como uma marionete.
O apartamento estava vazio. Ashley tinha ido visitar a família no fim de semana, pois seu pai não estava passando bem.
Joe tomou Demi nos braços, beijando-a com uma paixão que a deixou indefesa. Ela se recordava de ter protestado, dizendo que ia fazer café, mas Joe sorriu e lhe falou que tinha outros planos em mente.
A mão forte escorregou para dentro da camiseta e começou a acariciar os seios dela. Quando Joe abaixou a alça e beijou a pele que antes havia percorrido com suavidade, Demi estremeceu.
— Você é linda — disse ele ao mesmo tempo em que a despia.
Ela sabia que não estava agindo certo, mas os argumentos que tinha eram pouco convincentes. Como poderia ser errado aquilo que sentia em relação a Joe? Tudo era maravilhoso...
Demi não se lembrava de como foram para o quarto, mas recordava claramente do calor do corpo de Joe contra o seu; da sensação diferente que a masculinidade dele provocava a cada novo toque; da necessidade que crescia e se espalhava por todo seu corpo, deixando-a trêmula de tanto desejo.
O pensamento de posse não a amedrontou, as maneiras suaves de Joe tinham afastado esse medo. Mas ela não esperava aquele repentino desejo que tomou conta dela, afastando todas as barreiras da inocência e inexperiência.
Joe a acariciava suavemente, levando-a a uma loucura incontrolável, antes de possuí-Ia completamente. A dor era intensa e profunda, e Demi gritou para que ele parasse, mas seu grito foi ignorado. Por um momento a dor e a mágoa se transformaram em ressentimento, e ela começou a lutar contra aquele domínio. Mas, como se Joe já esperasse por isso, o corpo dele a fez sentir depois da dor o prazer, um prazer que Demi nunca havia conhecido, e seus gritos tornaram-se vagarosamente murmúrios de desejo.

Ela adormeceu nos braços dele, tendo certeza de que não havia felicidade maior. Não se envergonhava do que acontecera. Tinha sido natural e bonito, e Demi sentiu-se gratificada pela paciência e habilidade de Joe.
Na manhã seguinte, ela ainda experimentava as mesmas sensações, mas num clima diferente. Enquanto dormia, Joe havia revistado o apartamento e descoberto a falsa identidade de James Myers. Ele conseguiu a primeira página do jornal, e Demi só ficou sabendo disso quando chegou ao serviço.
Viu o artigo e reconheceu o nome Myers assim que começou a lê-Io. A matéria estava assinada por Joe, e ela ficou tão abalada que seu chefe a dispensou. Quando chegou ao apartamento, havia vários repórteres e policiais e nenhum deles a tratou com gentileza. Os jornais a descreviam como "a informante de Joe".
Ashley voltou do campo com os pais, e Sr. Arthur fora extremamente rude ao usar a influência que tinha. No fim da semana, o chefe pediu para que Demi arrumasse outro emprego. Ela trabalhava num escritório de advocacia e, como ele disse, com grande embaraço, os clientes não confiariam numa firma cuja funcionária tivesse traído a confiança de amigos.
Ela sentiu vontade de esclarecer todo o equívoco, porém seu orgulho era mais forte e permaneceu calada. Seu único crime foi imaginar-se amada, pois jamais diria uma palavra que pudesse quebrar a confiança de alguém.
A polícia a interrogou exaustivamente. E quando Sr. Arthur morreu de um ataque cardíaco, logo após ter ido para o tribunal, Demi recebeu uma avalanche de cartas terrivelmente acusadoras. Foi quando decidiu trocar de nome.
Por três meses viveu num verdadeiro inferno e daquela época em diante não ouviu mais falar de Joe. Tampouco tentou encontrá-Io. Apenas o orgulho tinha lhe dado forças para atravessar aquela fase, mas a confiança em si e a inocência nunca mais voltariam...
A porta foi aberta, apagando o passado. Demi desviou os olhos da lista telefônica para olhar Joe. Ela correu o dedo pela lista até parar numa agência de empregos.
 — Você está sem sorte? — ele perguntou sarcasticamente.
Demi tentou não responder; fechou a lista e colocou uma folha na máquina.
— Desculpe Sr. Jonas.
— Sr. Jonas? Nós não precisamos ser tão formais, Devonne!
— Não me chame assim! — gritou ela.
— Por que não? Esse não é o seu nome?
— Não é mais. Eu o enterrei, com o passado.
— Muito bem. Diga-me, Demi, você trouxe alguma coisa da Devonne com você, quando resolveu mudar sua personalidade?
— Nada — afirmou. Por que ele queria relembrar um passado que ela tanto desejava esquecer?
— É uma pena! Pelo menos ela era quente... Uma mulher viva.
— Que você matou!
— Por que está dizendo isso?
Quanta inocência pensou amargurada. Como ele podia perguntar-lhe isso? Não a tinha usado friamente até conseguir a história que lhe interessava e depois a abandonara?  Ken sabia como ela se sentia em relação a ele, nunca fora segredo. Ele era inteligente, devia imaginar como ela reagiria, e quanto ficara angustiada. Demi soube por intermédio de um fotógrafo que trabalhava com Joe, num encontro casual três meses depois, que ele havia partido para o exterior e que a carreira dele estava no auge.
— Quer dizer que não ficou nada do passado? — insistiu Joe.
Ele a olhava intensamente. O que ele queria agora? Demi tentava imaginar.
— Nada.
— Não minta Demi! — gritou ele, com raiva. — Eu vi seu rosto quando você entrou no escritório. Você me odeia, não é?
— É lógico! O que você esperava? Depois de tudo o que me fez...
Ele a observou por alguns instantes e depois continuou:
— Você está certa. A Devonne que conheci não teria ficado tão ressentida nem teria se tornado tão amarga. A Devonne que pensei conhecer nunca... — Ele parou de falar e se aproximou dela, encarando-a.
Demi pensou notar algum tipo de emoção nos olhos dele que, se existiu, desapareceu instantaneamente. .
— Você está segura de si. Já disse o que queria, mas eu não pretendo trabalhar com uma secretária que olha para mim desse jeito. Por isso, se eu fosse você, procuraria mudar de idéia. — Indo em direção à porta, continuou: — Pelo menos uma coisa não mudou se é que as fofocas são verdadeiras. Parece que você ainda sente prazer em chutar os homens, com uma única e notável exceção.
Demi engoliu em seco ao ouvir aquela acusação e ao perceber o sorriso cínico que acompanhou as últimas palavras dele. Ia pedir uma explicação, quando Joe prosseguiu:
— Parece que você não vai mudar em relação a mim, Demi. Você me odeia e me despreza certo?
Como ela não respondesse, ele perguntou:
— Por isso você acabou escolhendo Taylor? Ele não é um homem... É um palerma!
Demi empalideceu, e ao erguer o olhar viu Joe saindo da sala. Não conseguiu conter as lágrimas.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

mini-fic: You Lost Me - Parte 3/3

- Não vai nem ao menos dar-me um beijo de despedida? – ela perguntou.
- Claro! – Voltou e depositou um beijo rápido em sua testa. – Até logo.

 Sabia exatamente onde tinha errado. Começaram a se distanciar de mais.
 Joe conseguiu juntar dinheiro para comprar ações, tornou-se um dos membros da presidência. Seu tempo era ainda menor. Não conseguia dar atenção que deveria a sua esposa, deixou de prestar atenção ao que ela dizia, deixou de fazer elogios quando ela estava arrumada para ele, não fazia mais suas declarações de amor, não dizia mais “Eu te amo”. Passaram-se alguns anos... Até que eles se perderam.

“Joe chegou de uma reunião cansativa. Queria apenas um banho, comer e dormir. Passou pela sala e reparou em algumas malas perto do sofá. Dirigiu-se até o quarto e ouviu o barulho de Demi dentro do closet. Tirou seu blazer e colocou em cima da cama.

- Demi. De quem são as malas na sala? – perguntou um pouco alto para que ela ouvisse enquanto desfazia o nó da gravata.
- Minhas. – Demi respondeu saindo do closet com uma necessária e colocando alguns cremes dentro.
- Tá indo viajar? – perguntou confuso.
- Não. – respondeu sem olhá-lo – Estou indo embora.
- Como? – Joe perguntou atônito.
- Você ouviu Joe, eu não agüento mais. Eu vou embora. – disse olhando agora vendo a sua expressão de surpresa.
- Você não tá falando sério. – respondeu sem expressão alguma.
- É claro que estou. Eu já cansei disso tudo. Cansei de você chegando quando já estou dormindo, cansei de ficar os finais de semana sozinha, cansei de não conseguir ter uma conversa de mais de 10 minutos com você, cansei de ser trocada por reuniões e jantares. Cansei de tudo. – dizia com a voz embargada.
- Demi, eu não acredito. – respirou fundo. – Você sabe que é meu trabalho, sabe que eu tenho tentado estar com você. Já tivemos essa conversa antes.
- Sim Joe. Tentamos e continua a mesma coisa... Quantas vezes tentamos, mas você sempre contorna as situações e coloca seu trabalho em primeiro lugar, sempre.
- Demi, não é assim. Tudo o que eu faço é pra conseguir te dar tudo o que você merece.
- Não, não, não. – elevou sua voz. – Eu não preciso. Não preciso de nada disso. – Jogou no chão uma caixa de jóias que estava sobre a cama. – Não preciso de casa, não preciso de jóias, roupas, carros... Já cansei de tudo. – gritava – Nada disso nos ajudou... Só nos distanciou.
- Não. Não Demi, pare. – Joe disse se aproximando e a abraçando- a tentando acalmá-la. – Tudo bem, se você quer que eu fique mais tempo com você eu fico. Se acalme.
- Joe. – disse entre soluços. – Vamos admiti: o nosso amor morreu.
- Não. Não diga besteira. Nada morreu. É só um momento ruim.
- Esse momento ruim já dura anos.
- Vai ficar tudo bem, Demi.

 Um som estridente tomou o local. O celular de Joe começou a tocar, ele a soltou e foi olhar o número. Ele a olhou, ela continuava no mesmo lugar o observando, ele atendeu.
- Alô?
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- Quando?
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- Amanhã?. Mas.

 Demi não quis mais ouvir. Pegou sua nécessaire e saiu do quarto. Joe desligou o telefone e foi atrás dela.

- Demi, espera, eu não vou. – disse segurando-a pela cintura.
- Não vai? Duvido? – disse irônica empurrando-o.
- Não vou, deixe estas coisas aí. Por favor, não me deixe. – ajoelhou aos pés dela implorando.

 Ela viu as lágrimas dele. Ela queria que tudo ficasse bem de novo. Mas ela precisava de um tempo sozinha, ela precisava sair de lá por alguns dias, mas ela também sabia que ele nunca a deixaria ir embora, a não ser...

- Não Joe. Não se humilhe. Deixe-me ir.
- Não, não. Você fica. – agarrou a suas pernas.
- Pare Joe. Chega... Você me perdeu. – se soltos dos braços dele.
- Do que você tá falando? – perguntou não entendendo.
- Você me perdeu. – disse pausadamente.
- O que você tá querendo dizer? – perguntou levantando-se.
- Deixe-me ir, por favor. - implorou
- Não me diga que você teve a coragem... – ficou vermelho de raiva criando hipóteses e segurando-a pelo braço.
- Joe, me solta. Tá me machucando.
- Responde Demi. Você me trocou por outro? – pela primeira vez na vida Demi viu uma fúria tão grande nos olhos de Joe.
- Vai mudar alguma coisa se eu disser que sim ou não. – disse arqueando umas das sobrancelhas.

 Demi sentiu apenas uma ardência no rosto e o corpo caindo no chão. Olhou para Joe e ele a olhava com um ódio medonho.

- Diga que é mentira Demi. DIGA.

 Demi colocou a mão no rosto e sentiu na boca o gosto de sangue. Joe a puxou fazendo a ficar de pé.

- Responde.
- SIM. – mentiu – Se era isso que queria saber a resposta é sim.

 Joe levantou a mão novamente para lhe dar outra tapa, mas parou no meio do caminho vendo a marca que deixou no rosto da amada. Ele a empurrou para o sofá e teve um ataque de fúria. Destruiu a sala em segundos. Demi, pela primeira vez ficou com medo de Joe, mas também não baixou sua guarda.

- Se já acabou com seu teatro eu vou embora. – Demi disse cuspindo as palavras e se dirigiu até a porta de saída.

 Em segundos, Joe estava a sua frente impedindo-a de passar.

- Joe, por favor. Já chega. – implorou.
- Daqui você não sai.

 Demi se assustou com o tom de voz gélido que ele usou para falar com ela. Olhou em seus olhos e não viu nenhuma emoção neles a não ser a vermelhidão tremenda. Algo frio encostou-se a sua barriga e quando ela olhou entrou em pânico.

- Joe, o que você vai fazer? – perguntou dando passos para trás, recuando.
- Não devia ter feito isso Demi. – Dizia agora com a voz embargada apontando a arma em direção ao peito de Demi.
- Joe, não faça isso. Deixe-me te...
- EU NÃO QUERO SABER.
- Mas Joe, não seja idiota. Escute-me.
- Eu te amei Demi, mais que qualquer um possa amar. Você não deveria ter feito isso.

 O som não foi alto. A arma tinha um silenciador. Mas na cabeça dele foi o som mais estridente que já escutara e tudo parecia acontecer em câmera lenta. No momento em que puxou o gatilho sua mente se esvaiu, como se não pensasse em nada, como se seu cérebro não pudesse raciocinar as conseqüência, só a raiva o dominava. Foi então que o som do corpo dela batendo no chão e o grito de dor o puxou para realidade. Ele ficou estatizado até seu cérebro voltar a funcionar de novo.

- Meu Deus! O que eu fiz? – correu em direção a Demi. – Meu amor, me desculpe, por favor, me desculpe! – disse colocando um braço por trás da cabeça dela e segurado uma de suas mãos. – Hey, você vai ficar bem. Eu vou chamar por ajuda. – disse apavorado se esticando para o telefone.
- Não. – Demi disse com a voz fraca. – Não vai adiantar muito. - disse colocando a mão em cima do seio onde ele havia acertado.
- Eu não queria fazer isso meu amor. – falou chorando acariciando os cabelos dela. – Você tem que ficar bem, não me deixe.
- Me desculpa Joe. – Tossiu com um pouco de sangue. – Eu menti. Nunca tive outro.
- O que? – ele perguntou baixo atônito.
- Eu só precisava de um tempo. Sabia que você não me deixaria ir. – colocou sua sobre o rosto dele secando algumas lágrimas e ele começou a soluçar.
- Por que fez isso?
- Não sei. – riu sem graça. – Às vezes digo coisas sem pensar. – sua voz estava sem força.
- Não me deixe. Perdoe-me, por favor. Fica aqui – Joe implorava beijando sua testa.
- Eu te amo Joe! Nunca se esqueça. E sou claro que eu te perdôo, eu te amo.

 Os olhos dela se fecharam. “

 Não conseguia mais derramar lágrimas, todas já deveriam tem sido derramadas e não tinha mais ar para soluçar. Abriu os olhos e a viu estirada a sua frente. Sua visão estava turva, olhou para as suas mãos e viu o sangue que tinha tentado em vão estancar. Sua cabeça rodava e não conseguia mais raciocinar. Pegou a arma, ainda estava quente. Engatinhou até Demi e a beijos pela última vez, os lábios já estavam frios.

 Não poderia ser tão ruim, estaria junto a ela, pelo menos

O barulho não foi alto, aliás, para ele, não houve barulho algum
I AM done, smoking gun
Para mim acabou, a arma ainda está quente
We've lost it all, the love is gone
Nós perdemos tudo, o amor se foi
She has won, now it's no fun
Ela venceu, agora não é mais divertido
We've lost it all, the love is gone
Nós perdemos tudo, o amor se foi


And we had Magic
O que nós tínhamos era mágico
And this is tragic
E isto aqui é trágico

You couldn't keep your hands to yourself
Você não conseguiu segurar as próprias mãos
I feel like our world's been infected
Eu sinto como se nosso mundo estivesse infectado
And somehow you left me neglected
E de alguma forma, você me deixou negligenciada
We've found our lives been changed
Nós descobrimos que nossa vida mudou
Baby, you lost me
Baby, você me perdeu

And we tried, oh, how we cry
E nós tentamos, Oh como choramos
We lost ourselves, the love has died
Nós nos perdemos, o amor morreu
And though we tried, you can't deny
E apesar de termos tentado, você não pode negar
We're left as shells, we lost the fight
Tudo o que restou foi nossa casca, nós perdemos a luta.