Gente me desculpa...
Não estou postando por que eu to sem computador..
Talves eu possa voltar mês que vem mas não e nada garantido...
Mais assim que eu puder eu vou tar postando..
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
Selinho
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domingo, 1 de janeiro de 2012
Capitulo VI
CAPÍTULO VI
Ele partiu antes que ela pudesse revidar, deixando-a exausta depois de tanta discussão. O mais curioso é que ela se sentia mais viva do que nunca.Com certeza, Joe não gosta de fazer as coisas pela metade, pensou Demi enquanto bebia champanhe. Terminado o casamento, ela ainda não sabia que ele havia preparado uma recepção no salão do Hotel Best Los Angeles.
.O casamento em si tinha sido uma surpresa. Ela esperava por uma cerimônia simples no cartório, e surpreendentemente o carro que Joe havia providenciado parou em frente à igreja local.
Houve um instante, quando eles estavam fazendo os juramentos, em que ela pensou que teria sido tudo muito diferente se Joe fosse realmente o homem que imaginava ser, mas tirou essa idéia estúpida da cabeça ao lembrar as verdadeiras razões daquele casamento.
— Você realmente nos enganou — disse Taylor S. — Quem poderia imaginar?
— Quem poderia imaginar o quê? — perguntou Joe, aproximando-se de Demi e abraçando-a pela cintura, o que a fez ficar tensa. — Já está mal-humorada, querida? — Ele ria, mas seu olhar a avisou para não desafiá-Io publicamente. — Eu prometi que estaria a seu lado pelo resto do dia... E da noite!
Tomada pela raiva, Demi esqueceu Taylor S e se virou para ele, tentando exigir que a soltasse, porém suas objeções foram sufocadas pelo calor dos beijos de Joe. Ele sussurrou contidamente:
— Lembre-se, nós acabamos de casar. Todos esperam que pareçamos felizes. Tudo é muito romântico. Você não quer que as pessoas pensem que fui forçado a casar com você para dar um nome a Nicky, quer? Porque é exatamente o que vão pensar.
Ela ia dizer que não se importava com a opinião dos outros, mas mudou de idéia.
— Santo Deus, Joe, eu nunca imaginei que você fosse tão expansivo — disse Taylor S com um sorriso. — E eu que pensei conhecê-lo tão bem! — Lançou um olhar malicioso para Demi e acrescentou: — É verdade, Demi, que você tem um filho? Eu não pude acreditar quando Joe me contou. Sempre vi você como uma freira. Sabe-se lá o que Taylor L fará quando descobrir! Ele quase ficou louco ao saber que você e Joe iam casar!
— Não é "um filho", Taylor S — disse Joe, — É "meu filho". — Demi sentiu que ele a olhava. — Eu acho melhor deixar isso bem claro, querida, pois não podemos esconder a existência de um garotinho como Nicky.
A falsidade da situação a deixava angustiada. Quando ela concordou em casar com Joe não lhe passara pela cabeça ter de desempenhar um papel tão ridículo.
— Não pare de contar — pediu Taylor S. — Céus, parece um conto de fadas!
— Na verdade não é — Joe deu de ombros. — Demi e eu brigamos antes que ela soubesse que estava grávida e era muito orgulhosa para me dizer o que havia acontecido. Quando eu voltei para cá, e nos encontramos, nos apaixonamos pela segunda vez e a descoberta de que eu tinha um filho foi a maior alegria.
— Joe me disse que você vai parar de trabalhar — falou Taylor S. a Demi, que estava em silêncio ouvindo a versão relatada por Joe. — Você não acha que vai ser maçante demais?
Demi ficou tensa, percebendo o tom maldoso nas palavras de Taylor S, porém Joe respondeu por ela, divertindo-se ao vê-Ia corar:
— Bem, eu acho que podemos encontrar uma solução para esse problema — disse ele. — Nós não queremos que Nicky seja filho único.
Nesse momento Taylor S foi chamada por alguém e, pedindo licença para Joe, saiu. .
— Eu acho...— Demi ia dizendo, mas Joe colocou os dedos sobre os lábios dela, impedindo-a de continuar.
— Nenhum homem gosta que riam dele. Eu quero que fique bem entendido que Nicky é meu filho, assim como quero que esteja claro que agora você é minha esposa. Por falar nisso, gostei do seu conjunto — acrescentou ele, pousando os olhos deliberadamente no movimento que os seios dela faziam sob o vestido de seda creme.
Demi jurou a si mesma que não iria comprar nada de especial, mas acabou escolhendo um conjunto de três peças em seda com a saia justa, uma blusa de alças finas e um blazer de mangas compridas. A cor clara realçava seus cabelos, fazendo-os parecer mais pretos e os olhos castanhos ficavam mais brilhantes.
Quando Joe a olhou, ela lembrou que estava totalmente despida sob a blusa. O tecido era muito fino para que usasse um sutiã e na pressa de se vestir não pensou nas possíveis conseqüências.
— É muito bonito — comentou Joe como se tivesse lido os pensamentos dela.
— Você não devia ter contado a Taylor S a respeito de Nicky — protestou Demi, tentando mudar de assunto.
— Por que não? Talvez você preferisse manter Nicky em segredo, mas eu não. Eu me orgulho do meu filho e quero que saibam que sou pai dele.
O machismo de Joe a deixou furiosa.
— Suponho que você queira também contar a eles como o gerou... Você não parece um ser humano! O que esperava? Que eu me portasse como se este fosse o dia mais feliz da minha vida, quando todo o tempo fui forçada a esse casamento para evitar que você tirasse meu filho? Um filho que você gerou sem consideração ou amor, ou outra emoção qualquer a não ser ambição? Sua arrogância é estarrecedora! Eu...
Suas palavras foram sufocadas pelos lábios dele, a pressão forte das mãos machucando-lhe a pele através do fino tecido. Demi podia ouvir as pessoas rirem e, quando Joe a soltou, ela se sentiu envergonhada ao descobrir que eles eram o centro das atenções.
Alguém chamou a atenção de Joe, e ele se voltou para atendê-Io. A maioria dos convidados era do jornal. Havia dois ou três velhos amigos de Joe, e Demi suportou a inspeção curiosa deles com muito mais segurança do que seria capaz.
A Sra. Johnson estava cuidando de Nicky, e Demi não via a hora de poder voltar para ele. Desde o acidente, ela sempre se preocupava quando estava longe, e Joe já a tinha repreendido por ficar mimando tanto o menino.
Ela ficava magoada ao pensar que ele tinha os mesmos direitos sobre o filho e sentia-se muito mal vendo que o casamento havia reforçado isso.
Estava tão absorta nos pensamentos, andando de um lado para o outro, que só percebeu que Taylor L. a seguia quando ele a pegou pelo braço. Ele parecia mais magro e infeliz, e Demi sentiu-se culpada por não ter lhe contado tudo o que estava acontecendo.
— Não posso acreditar nisso — disse ele. — Demi, o que vou fazer sem você? Só você me dá atenção.
Ela quase riu diante de tal infantilidade, e agora se recriminava por ter deixado que ele se tornasse tão dependente dela.
— Vou sentir muito a sua falta, Dem. Não sei o que fazer. Você acha que devo aceitar Mary de volta?
Se ele precisa perguntar, é porque ainda não tem muita certeza dos sentimentos, pensou Demi, exasperada. Ela estava pronta para lhe dizer que ele deveria tomar as próprias decisões quando viu Joe a seu lado.
— Demi agora é minha esposa — disse ele a Taylor L, com raiva, segurando-a com firmeza pelo pulso. — Lembre-se disso. E quanto a você... — Demi o interrompeu quando viu que Taylor L. ainda estava parado lá. — Tay tudo bem pode ir.— ele assentiu foi então que ela dirigiu-se a Joe quando Taylor L se afastou. — O que está pensando? Eu não tive esse trabalho todo para convencer as pessoas de que nós formávamos um casal feliz para depois você pôr tudo a perder deixando esse idiota ficar choramingando em seu ombro!
A intensidade da raiva dele a deixou muda.
— Taylor L e eu somos velhos amigos — protestou ela, quando recobrou a voz. — Nunca ninguém pensará...
— Que vocês são amantes? — terminou Joe. — Você ficará surpresa. Eu mesmo pensava isso até descobrir que você não tinha realmente sido tocada...
— Como a Bela Adormecida esperando o beijo do Príncipe Encantado? É isso o que você pensa Joe? Que você só tem de me tocar e eu acordarei? Sinto muito desapontá-Io. Eu sou totalmente fria.
— Mas acabou se revelando na outra noite — recordou ele, olhando-a de uma maneira que ela não conseguiu sustentar;
— Eu não sabia o que estava fazendo. O acidente de Nicky... O choque...
— Sim, eu sei de tudo isso. Você não precisa me dizer que não deixará que eu me aproxime de você. Mas suas defesas não são inquebráveis. Lembre-se de que da próxima vez você pode não conseguir resistir.
Ele se virou antes que Demi pudesse responder, deixando a sensação de que havia dito a verdade. No que se relacionava a Joe, ela era muito vulnerável e teria que usar toda a força de vontade para evitar que suas defesas fossem quebradas. Uma vez já tinha suportado a amargura de ter uma relação sem amor, mas não conseguiria sobreviver a essa agonia novamente.
CAPÍTULO V
CAPÍTULO V
— Então a resposta é sim?
Joe estava de costas para ela, olhando na direção do jardim. Ele chegara quando Demi colocava Nicky na cama. Por causa do braço quebrado, o menino tinha ficado dentro de casa o dia todo e os brinquedos estavam espalhados pela pequena sala de visitas. Demi resolveu tomar um banho e relaxar, mas ouviu um carro parando do lado de fora.
Ela não havia dormido na noite anterior, por isso estava tensa e muito abatida. Joe pôde perceber as olheiras profundas e a expressão desanimada de Demi através do vidro da janela. Quando finalmente a fitou, ela sentiu uma vontade forte de pegar Nicky nos braços e fugir para bem longe dali...
Mas foi pensando na felicidade do filho que decidiu aceitar a proposta de Joe. Não podia deliberadamente privar o filho da figura paterna. Sabia que mais tarde ele não a perdoaria se isso acontecesse. Até então ela só tinha se preocupado com o bem-estar de Nicky e, embora não desejasse aquele casamento, precisava reconhecer que haveria certas vantagens... Seu filho teria a segurança material tão sonhada por ela e uma vida muito mais confortável.
Se Miley e Nick não fossem partir, Demi teria encontrado coragem para desafiar Joe. Mas, sem a ajuda deles, seria impossível dar a Nicky a base estável de amor e segurança que toda criança devia ter. O que mais a atormentava era o medo de que Joe conseguisse tirar Nicky dela judicialmente.
— Só estou concordando por causa de Nicky — ela disse, com amargura. .
— E claro! — O tom irônico de sua voz a deixou preocupada.
Durante todo o dia Demi esperou angustiada que o momento decisivo chegasse. Agora, Joe estava à sua frente observando-a intensamente, sem que ela conseguisse parar de tremer. No fundo, ela sabia que, uma vez dada à palavra, jamais poderia voltar atrás.
— Quando... — ela começou a perguntar, mas as palavras não saíram. Tentou falar novamente, mas não conseguiu. Entrou em pânico quando viu Joe caminhando em sua direção... Já não podia enxergá-Io com nitidez, as imagens se confundiam. Ouvia vagamente as palavras que ele pronunciava, sem, contudo, compreendê-Ias. De repente, sentiu que estava caindo num poço escuro e profundo.
Quando Demi voltou a si, escutou uma voz masculina e Um tanto paternal, Forçando a vista, reconheceu o médico.
— Há anos ela vem exigindo demais de si mesma. Cuidar de um garoto de dois anos não é fácil e pelo que vejo ela anda sobrecarregada. Mas segundo você me informou as coisas vão melhorar para ela.
— Sim, nós vamos casar assim que for possível.
— Bem, não há razão alguma para adiar. Quanto mais depressa toda essa excitação passar, e ela puder relaxar, melhor.
Demi se mexeu com impaciência, indignada com o fato de ficarem falando dela como se fosse um objeto inanimado.
Joe estava de pé ao lado da cama e, percebendo o movimento, tocou o braço do médico.
— Bem, minha jovem — disse ele com animação -, como se sente agora?
— Fraca — admitiu. Ela estava em sua própria cama e podia ver o sol brilhando através da janela. — Nicky? Tentou sentar.
— Nicky está bem — assegurou Joe. — Telefonei para uma agência especializada nessas emergências. A Sra. Johnson levou Nicky para dar um passeio.
O médico estava fechando a valise e preparava-se para sair.
— O que aconteceu? — perguntou Demi, ainda meio tonta.
— Ao que parece você passou por maus momentos e está com um esgotamento nervoso. Seu filho sofreu um acidente, e o choque que você levou provavelmente foi muito grande. Digamos que tenha sido a última gota... Seu sistema nervoso explodiu fazendo com que toda a tensão acumulada viesse à tona... Por isso, você perdeu os sentidos. Portanto, de hoje em diante, tente manter-se calma e cuide mais de sua saúde, está bem?
Ele apanhou a valise, e Joe o acompanhou até a porta.
Várias horas da minha vida se passaram sem deixar qualquer marca, pensou Demi. Ela podia lembrar apenas de uma horrível sensação de inconsciência se aproximando e depois... Mais nada.
— Você está melhor? Podemos conversar?
Ela concordou com a cabeça; Talvez a perda de consciência tivesse sido uma fuga involuntária para escapar de Joe e do casamento. Tudo podia ser possível. Demi estava usando uma camisola curta de algodão e não se lembrava de tê-Ia vestido.
— Você... Você trocou minha roupa?
— Não entre em pânico. Eu não tentei satisfazer meus desejos com seu corpo indefeso, se é isto que está pensando.
Correu os olhos pelo corpo dela e um brilho surgiu neles quando Joe notou que ela havia corado.
— Já fiz todos os preparativos para o casamento — disse calmamente. — Na data marcada, a Sra. Johnson cuidará de Nicky. Pedi que ela fizesse as malas com as roupas dele e com as suas. Não quero que se repita o que aconteceu ontem à noite. Não seria nada agradável se minha noiva desmaiasse a meus pés. — Ele passou os dedos pelo queixo. — Acho que você não tem um barbeador, não? Eu subi para saber se Nick podia me emprestar o dele, mas ninguém respondeu.
— Eles tiveram de voltar para a Itália. O irmão de Nick sofreu um acidente e não está passando bem.
— Precisamos procurar uma casa, mas só quando você estiver se sentindo melhor — comentou Joe friamente. — Você e Nicky podem ficar no meu apartamento. Não pretendo passar mais nenhuma noite em seu sofá duro. Eu gosto de dormir e fazer amor em ambientes mais confortáveis.
— Não haverá nenhum "ato de amor" entre nós, Joe, e mudar para o seu apartamento estão fora de cogitação. Nicky precisa de um jardim para brincar. Você não pode engaiolar uma criança num apartamento.
— Nenhum "ato de amor"? Você não poderia esperar até que eu tentasse? — Joe falava suavemente. — Se o apartamento está fora de cogitação, o que você sugere? Aqui não há quartos suficientes para nós três. — Ele olhou com desdém para o pequeno quarto e para a cama de solteiro. — Ou você está pensando em me mandar para o andar de cima?
Era exatamente isso que Demi havia imaginado. Seu corpo tremia sob os lençóis ao lembrar as insinuações dele.
Joe não tentaria nada... Ou tentaria?, Demi pensava, com nervosismo.
— Seria uma ótima solução você usar o apartamento de cima — comentou ela, tentando parecer lógica. — Nicky ainda não está muito acostumado com você...
— Não! Nós estamos nos casando para dar uma família para ele, não um pai que cumpra um horário de visitas estipulado por você. Se você não quer morar no meu apartamento, muito bem, então procuraremos uma casa.
— De acordo! Assim poderíamos adiar o casamento até encontrar uma. — Seus lábios estavam secos, e Demi desviou o olhar de Joe enquanto rezava para que ele concordasse o que não aconteceu.
— De forma alguma. Dentro de três dias estaremos casados, mesmo que eu tenha de carregá-Ia para o altar. Preparei tudo com antecedência e já providenciei os papéis necessários. Agora, descanse. Preciso ir ao escritório. A Sra. Johnson voltará logo e recebeu ordens expressas para não deixá-Ia sair dessa cama. Até logo!
A Sra. Johnson mostrou ser uma mulher muito maternal e eficiente. Tinha quase quarenta anos e seguiu as instruções de Joe ao pé da letra. Nicky teve permissão para entrar no quarto da mãe na hora do almoço e conversou alegremente com Demi enquanto ela comia uma maionese de frango.
— Logo eu terei um pai e nós vamos morar com ele numa casa nova — ele disse, cheio de orgulho.
Joe não perdeu tempo! Informou o filho de todas as mudanças, Demi pensou com amargura, não podia ter deixado para ela contar as novidades? Ou não confiava que ela o faria sem colocar Nicky contra ele? Demi sentiu-se ressentida. Só queria o bem de seu filho e nunca faria algo que pudesse prejudicá-Io.
Nicky estava tão acostumado a ter só a mãe que ela não imaginava qual seria a reação dele diante da presença de uma terceira pessoa na pequena família. Geralmente os meninos não aceitam com facilidade que a mãe case e se dedique a outro homem. Porém, Nicky parecia satisfeito e, no caso de Demi, não haveria problemas, pois ele não assistiria a cenas de intimidade entre ela e Joe.
Pela primeira vez, Demi ficou curiosa em saber a opinião de Joe sobre o casamento. Casar com ela significava não satisfazer os desejos naturais masculinos. Será que ele achava que Nicky compensaria o sacrifício? Ou ele continuaria vivendo livremente e buscando outras mulheres? Ela ficou abalada com a intensidade da raiva que sentia. Que interesse poderia ter no que Joe faria da vida dele?
Na hora do lanche, ela quis se levantar, mas a Sra. Johnson foi inflexível e não permitiu. Ela havia dado pão com manteiga e ovos para Nicky comer, e o menino estavam entusiasmado com o lanche quando Demi abriu a porta da cozinha.
— O Sr. Jonas me disse que a senhora não deveria sair da cama de modo algum — protestou ela.
— O Sr. Jonas não dá ordens por aqui — replicou Demi.
Seus cabelos estavam oleosos, e ela queria lavá-Ios. Além disso, já estava cansada de ficar deitada pensando em Joe.
Depois de Nicky ter terminado o lanche, ela agradeceu à Sra. Johnson pela ajuda e dispensou-a com firmeza. Nicky conversou alegremente enquanto tomava o banho e depois eles fizeram todas as suas brincadeiras favoritas.
É espantoso como ele aprende as coisas a cada dia que passa, pensou Demi, orgulhosa, ouvindo-o contar-lhe como tinha sido o dia dele.
— Quando meu pai vai voltar? — ele perguntou repentinamente.
Joe não havia dito quando voltaria. Nem entrou em detalhes quanto aos preparativos do casamento. Se ele não lhe telefonasse no dia seguinte, ela teria que fazê-Io.
Nicky a olhava indeciso, e Demi respirou fundo, dizendo a si mesma que precisava começar a preparar o filho para as mudanças que aconteceriam. .
— Eu não sei exatamente quando ele virá — disse, com cuidado. — Provavelmente logo.
— E então nós iremos morar com ele para sempre?
— Espero que sim. — Ela o tirou do banho, enxugando-o rapidamente.
— Nós não vamos mais morar aqui? — perguntou ele subitamente, franzindo a testa. -Nós vamos embora como Miley?
— Talvez. Agora vamos. Que brinquedo quer esta noite?— Ela tentou desviar o assunto.
Demi colocou o filho na cama com um dos brinquedos enquanto foi tomar banho e lavar os cabelos; enxugou-os rapidamente antes de colocar um roupão fino e voltar ao quarto dele.
Ela havia acabado de entrar no quarto quando a porta se abriu e Joe entrou. Tirando o paletó, jogou-o sobre a cama e afrouxou a gravata, num gesto de intimidade que a deixou tensa.
Joe sorriu para Nicky, que o olhava indeciso. Demi observou-o sem se surpreender pelo fato de suas mãos estarem tremendo. Havia algo que ela deveria fazer mesmo que a magoasse, mas que precisava ser feito pelo bem de Nicky. Inclinando-se sobre a cama, Demi disse suavemente para o filho:
— Veja quem está aqui, Nicky! E seu pai.
Houve um momento de silêncio, e ela sentiu o olhar incrédulo de Joe e a incerteza de Nicky. Então Joe se sentou ao lado dela na cama, olhando para o rosto do filho, e disse, com voz rouca:
— Olá, Nicky!
Quando Demi fechou a porta do quarto e saiu, começou a chorar. Ela não se lembrava de já ter sentido tanta dor antes, a não ser na ocasião em que descobrira que havia sido enganada por Joe. O que ele estaria dizendo a Nicky? Será que estava tentando conquistá-Io só para si?
Foi para seu quarto, sentando-se em frente à penteadeira e escovando os cabelos, o que a distraiu por algum tempo.
Entretanto, não conseguiu conter-se quando Joe entrou no quarto e encontrou-a de joelhos com a cabeça entre as mãos e o secador jogado no chão.
Ele já estava ao lado dela antes que Demi tivesse notado sua presença. Joe a pegou pelos braços para levantá-Ia, — Obrigado — disse ele suavemente. — Foi muito gentil de sua parte fazer aquilo.
— O que eu disse a Nicky em relação a você? Tudo bem...
Se ele percebeu a ansiedade dela e quis saber a razão, pelo menos não demonstrou.
— Ele já está dormindo. — Joe tocou o rosto dela com os dedos e viu que estava molhado. — Oh, Demi — ele protestou com doçura, trazendo-a para junto de si — casar comigo é tão terrível a ponto de você chorar?
— Eu não estou chorando — respondeu, mas as palavras foram sufocadas pelo peito dele. Há anos que não chorava, e ela odiou-se pela fraqueza que a invadiu, mas não conseguiu parar. Queria dizer a ele que a deixasse em paz, porém seu corpo estava colado ao dele enquanto Joe procurava consolá-Ia com suavidade.
Como se as lágrimas estivessem derretendo o gelo, Demi podia sentir seu corpo revivendo ao toque das mãos de Joe, e as sensações que ela havia esquecido completamente foram surgindo e dominando-a inteiramente. Ele colocou as mãos por dentro do roupão dela, acariciando a pele trêmula. As emoções contidas havia anos procuraram satisfação imediata e Demi cedeu ao toque dele sem pensar, com a força de vontade anulada por uma necessidade antiga que nada poderia deter.
Ela o abraçou cegamente, sem perceber que ele a havia erguido e levado para a cama estreita.
Demi soltou um gemido suave. Todo seu corpo estremeceu em resposta ao beijo dele, e apaixonadamente se aproximou, até que Joe segurou-lhe as mãos e a manteve afastada dizendo com a voz entrecortada de desejo:
— Ninguém a toca há anos, não é? Tudo estava apenas à espera, escondido bem no fundo e precisando apenas de um toque para se soltar. Bem, está livre agora — disse ele, puxando-a de encontro ao corpo. — Sinta o que você está provocando em mim, Demi. Eu quero fazer amor com você, mas agora sem enganos. Não quero ser acusado uma segunda vez.
As palavras dele esfriaram todo o desejo, fazendo com que Demi voltasse à realidade e não aceitasse o instinto como algo natural. Ela ficou pálida e angustiada.
— O que aconteceu, mudou de idéia? — Joe a encarava. — Por um momento você foi mulher. Não pode se esconder para sempre. A qualquer momento essa mulher que existe aí dentro destruirá esse seu mundinho sem emoções.
Demi ficou horrorizada. O que tinha acontecido com ela? Como podia ter se entregado totalmente? Empurrou-o, revoltada. O que ele estaria pensando? Agora era impossível se casar com ele. Pálida e com raiva, ela resolveu desafiá-Io:
— Continue, então. Prazer! É isso o que você quer, não é? Estava pensando que seria fácil me excitar? Oh, Deus, como eu odiei você!
O rosto de Joe estava quase tão pálido quanto o dela.
— É realmente o que pensa? — ele respondeu, com fúria. — Que eu faria isso deliberada e insensivelmente?
Demi não podia dizer por quanto tempo eles ficaram se olhando com mútua amargura. A única coisa que ela sabia é que, quando conseguiu desviar os olhos dele, estava tremendo incontrolavelmente.
— Você já fez isso antes.
— E desde então você não deixou que nenhum outro homem entrasse em sua vida, não é?
Ela riu, parando apenas quando ele a sacudiu com força.
— O que é tão engraçado? — perguntou ele, rude.
— Eu deixei que um homem entrasse na minha vida. Seu filho. E é por isso que representaremos essa farsa toda que será o nosso casamento.
— Agora é tarde para voltar atrás — avisou ele. — Nicky...
— Sim, eu sei. E pelo bem de Nicky que estou fazendo isso. Ouça bem, que uma coisa fique bem clara entre nós, Joe. Eu não quero me rebaixar a ponto de manter novamente uma relação sexual com você sem amor.
Ele a estudou por alguns momentos, com uma expressão que Demi não compreendeu, e então ela voltou a corar quando Joe disse vagarosamente:
— E se fosse com amor?
Demi rejeitou essa possibilidade. No entanto, o intenso desejo que a dominava provou que o passado ainda estava bem vivo. Procurou reprimir a emoção declarando, com indiferença:
— Eu não amo você! Isso basta?
O toque do telefone quebrou o silêncio constrangedor.
Joe saiu da cama, foi até a sala e deixou Demi para trás amarrando o roupão. Ela o seguiu, cheia de ressentimento.
— Era para mim — disse ele calmamente, recolocando o fone no gancho. — Eu deixei o número do seu telefone no jornal.
Quem seria? Taylor S? Mas por que estava se preocupando?
— Surgiu um problema, e eu preciso ir até lá — disse Joe como se tivesse percebido as suspeitas dela. — Eu vim para lhe dizer que encontrei uma casa. Alguns amigos meus que moram no centro de L.A vão para o Reino Unido por um ano e podem deixar a casa para nós, o que nos dará tempo de achar o que realmente queremos. E isso também significa que você não ficará cansada procurando em imobiliárias. Você já pensou no vestido de noiva?
A pergunta apegou desprevenida.
— O que você quer dizer?
A impaciência dele pairava no ar. .
— O que estou tentando saber é se você quer que eu arranje alguém para cuidar de Nicky enquanto sai para comprar um vestido de noiva. Veja, eu não estou sugerindo um vestido branco, com uma cauda imensa e cheio de rendas. e pérolas — disse ele enquanto ela, tomava distância — mas a maioria das mulheres parece considerar o casamento uma boa desculpa para comprar uma roupa nova.
— Bem, eu não sou a maioria das mulheres. Se eu fosse usar algo apropriado à minha situação, provavelmente iria de luto!
Por um momento ela pensou que tinha ido longe demais. Ele estava furioso, mas, quando Demi deu um passo para trás, a raiva deu lugar a um sorriso zombeteiro que a deixou mais preocupada ainda.
— Você realmente quer tornar as coisas mais difíceis para si mesma, não é? — disse ele, suave. — Amanhã você vai sair e comprar algo apropriado para o casamento. Acho bom seguir meu conselho, caso contrário terei o prazer de, pessoalmente, despi-Ia e vestir as roupas em você. Entendeu?
quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
CAPÍTULO IV
CAPÍTULO IV
O dia amanhecera bonito, e Demi vestiu Nicky com a roupa que a mãe de Miley havia presenteado no Natal. Na época ficara um pouco grande, mas agora servia perfeitamente, e Demi se sentiu orgulhosa ao vê-Io crescendo.
Nick trabalhava para um tio que dirigia uma firma de importação de vinhos em L. A e, como não folgava aos sábados, ofereceu-Ihes uma carona a caminho do trabalho.
Nicky adorava passear de carro e a cada instante chamava a atenção da mãe, maravilhado com as paisagens diferentes que iam surgindo pelo caminho.
O zoológico estava cheio, e Nicky se divertiu bastante.
Quando Demi viu o comportamento das outras crianças, pôde perceber quanto Nicky era comportado. Ele olhava para os animais com sincera admiração, atraindo sorrisos dos adultos que o observavam.
Como ela imaginava, Nicky acabou ficando exausto e, ao subirem no ônibus que os levaria de volta, ele adormeceu em seu colo.
O dia ainda estava quente. Miley tinha ido passar à tarde com alguns amigos que moravam do outro lado de L. A.
Depois de pôr Nicky para dormir, Demi colocou um biquíni e deitou-se na grama do jardim.
O livro que levou para ler era pouco interessante e logo sentiu-se sonolenta. Fechou os olhos e adormeceu imediatamente. Acordou com o pressentimento de que não estava mais sozinha.
— Miley?
— Acho que não — respondeu uma voz masculina.
— Joe! — ela exclamou assustada, enquanto tentava compreender o motivo daquela visita inesperada.
Ele estava usando jeans e uma camisa de algodão aberta no peito e segurava os óculos escuros dela.
— Você esqueceu isto no carro. Deve ter caído de sua bolsa.
Ele observou demoradamente o corpo de Demi, e ela tentou não se mover. Depois do nascimento de Nicky, os seios tinham ficado mais cheios, e a cintura e os quadris continuavam bem-feitos.
— Você poderia ter esperado até segunda-feira para devolvê-Ios. Ou quis se certificar de que minha enxaqueca era real e não uma desculpa para faltar ao trabalho?
Enquanto falava, olhou instintivamente para o quarto de Nicky e, no mesmo instante, baixou a voz. Ela nem ousava pensar no que aconteceria se o filho de repente acordasse e os visse juntos.
— Não seja estúpida. — Seu olhar se dirigiu para os lábios de Demi que ainda estavam inchados.
Quando ela se mexeu, notou que Joe tinha empalidecido.
O biquíni deixava à mostra as marcas que os dedos dele haviam feito quando haviam discutido na noite anterior.
— Eu fiz isso?
— Você ainda duvida? Acha que eu gosto de ser agarrada à força?
— Não sei se gosta, mas, se for assim, Taylor não deve satisfazê-Ia — ele disse, com ironia. — Você prefere o estilo dele?
— Talvez seja mais agradável. Quem sabe...
Antes que Demi pudesse evitar, Joe a agarrou fortemente pela cintura.
— Então vamos experimentar. Assim você tira suas dúvidas...
Ele a segurava pela cintura quando Demi ouviu um, barulho no portão. Seu coração disparou ao ver que Miley e Nick fitavam os dois com surpresa. Uma olhada para o rosto de Miley foi suficiente para confirmar as suspeitas da amiga em relação ao pai de Nicky. Ela fez uma rápida apresentação, ficando surpresa quando Joe se inclinou para pegar Caterina, que o olhava admirada..
— Eu vim até aqui para devolver os óculos que Demi esqueceu no meu carro na quinta-feira à noite e esperava tomar alguma bebida refrescante.
Ele já tinha planejado entrar Demi, porém, não podia convidá-Io. Percebendo a ansiedade dela, Miley disse:
— Eu fiz uma limonada antes de sair. Por que nós não vamos até minha casa? .
— Primeiro vou me vestir — disse Demi, ansiosa para escapar e verificar se Nicky ainda dormia.
Por sorte ele estava mergulhado num sono profundo e Demi deu-lhe um beijo no rosto. Colocou um vestido de algodão, tentando imaginar uma forma de se livrar de Joe o mais rápido possível. .
Quando chegou ao apartamento dos amigos, Joe e Nick conversavam sobre carros. Miley começou a contar o passeio feito quando Caterina, que antes estava distraída com alguns brinquedos, assustou Demi olhando para Joe e dizendo claramente "Nicky". .
— Quem é Nicky? — perguntou ele. — Parece que ele tem grande amizade com Caterina.
— É um menino com quem ela está acostumada a brincar — disse Miley rapidamente. — Ela está começando a falar e por enquanto todos os homens se chamam "Nicky".
Demi não conseguiu dizer mais nada depois daquele momento angustiante. Se Nicky tivesse aparecido na sala chamando Joe de pai, ela não teria ficado tão assustada.
Joe foi embora logo depois, e Nick acompanhou-o para ver o carro dele. Quando eles saíram, Demi ficou na janela, olhando para o jardim.
— Ele é o pai de Nicky, não é? — perguntou Miley.
Demi manteve-se calada. Não adiantava mentir.
— Ele sabe? — Miley continuou antes que Demi pudesse responder. — É claro que não. Você o apresentou como seu chefe!
— É uma história muito longa...
Elas eram amigas sinceras, mas mesmo assim Demi não teve coragem de contar toda a verdade. Tentando escapar, disse a Miley que Nicky deveria estar acordando. .
— Ainda bem que ele não acordou antes — ela desabafou.
— Talvez tivesse sido melhor que ele acordasse e encontrasse Joe — respondeu Miley. — Nicky precisa do pai.
Demi rebatia a mesma carta pela terceira vez e com desânimo a tirou da máquina. Joe estava de péssimo humor e parecia piorar mais a cada dia. Ele a obrigava a trabalhar até mais tarde e, quando Demi chegava em casa, Nicky já estava dormindo. Ela havia procurado outro emprego, mas o momento não era favorável e acabou não encontrando nada. Não passava um só dia sem que ele fizesse um comentário malicioso com relação a Taylor L.
Naquele momento, Joe havia saído para resolver um problema com o título de um dos artigos.
Demi sentia-se cansada por causa do calor e do trabalho intenso e, além disso, não estava se alimentando bem. Desde a chegada de Joe, tinha perdido o apetite. Achava que ele agia dessa forma hostil para que acabasse cedendo e pedisse demissão, mas ela não desistiria tão facilmente.
O telefone tocou, e Demi empalideceu ao perceber o nervosismo de Nick, do outro lado da linha. No início ela não entendeu o que ele dizia, mas, quando compreendeu, deixou o fone, cobrindo o rosto com as mãos. A porta se abriu e Joe entrou, assustando-se ao ver a palidez de Demi.
— Santo Deus, o que está acontecendo? — ele perguntou, olhando para o telefone.
Demi pegou a bolsa e tentou ficar de pé. .
— Eu preciso ir... — Ela estava sobressaltada e tremendo.
— Sente-se! — ordenou Joe, forçando-a a obedecer.
— Eu tenho de ir... Nicky precisa de mim. — As lágrimas escorriam por seu rosto.
Joe apanhou o telefone.
— Aqui é Jonas. O quê... Nick? — Ele olhou para Demi.
— Está bem, deixe tudo comigo — disse friamente. — Qual é o hospital? — E, desligando o telefone, encarou-a. — Então Nicky é seu filho? Meu Deus, claro, é por isso que você não quer que Taylor L volte para a esposa. Por que esse idiota não se decide e escolhe uma das duas?
Demi nem ouviu as palavras de Joe. Desde que Nick explicou que Nicky estava no hospital, ela só conseguia pensar nisso.
Tinha certeza de que um dia isso acabaria acontecendo, pensou com tristeza, imaginando Nicky sozinho, sem os cuidados dela.
— Eu preciso ir — disse ela, passando por Joe para sair.
— Desse jeito? — Ela olhou para ele, mal podendo enxergar. Conseguiu apenas dizer vagarosamente:
— Eu já datilografei as cartas. Até logo!
— O quê? Eu não quero saber das cartas — gritou Joe. — Você já chamou um táxi?
Ela respondeu que não, e ele pegou o telefone discando os números com raiva. Falou alguma coisa e desligou, pegando o braço de Demi.
— Meu carro está lá fora. Vamos.
— Não quero ir com você.
— Não seja tão estúpida — disse Joe, puxando-a. — Seu filho está no hospital. O importante é você chegar o mais rápido possível até ele ou prefere que eu chame Taylor L?
Como Demi não respondesse, ele a conduziu pelo corredor, parando na recepção para avisar que iam sair.
Com o choque, ela até se esqueceu de perguntar o endereço do hospital e depois de algum tempo reconheceu que, sem a ajuda eficiente e rápida de Joe, não teria conseguido forças para enfrentar a situação.
Foi apenas quando parou o carro no estacionamento do hospital que ele disse:
— Ninguém no jornal sabe de seu filho? Você deve ter muita consideração por Taylor L para manter esse segredo. Ainda acredita que ele se preocupa com você? Ele lhe deu um filho e não se divorciou da esposa até hoje. O que você está esperando?
As lágrimas escorriam pelo rosto dela. Como uma criança, Demi deixou que Joe a ajudasse a sair do carro. Miley a esperava com o rosto pálido.
— Ele caiu da macieira — ela explicou desesperada. — Eu saí por um instante para pagar o leiteiro e quando voltei ele tinha caído. Parece que quebrou o braço.
Foi Joe quem a tranqüilizou dizendo que isso podia acontecer com qualquer um.
— Você não pode vigiá-Ios o tempo todo, Miley. Acalme-se, está bem?
Miley havia deixado a filha com uma vizinha e olhou para Demi sem saber quem precisava mais dela, se Caterina ou a amiga. Joe percebeu o embaraço de Miley e acrescentou:
— Eu fico com Demi. Você pode ir para casa e ficar com sua filha.
A sala de espera estava vazia. Demi olhava para uma das portas quando a enfermeira apareceu.
— Sra. Lovato? — ela perguntou com um sorriso. Seu filho passa bem. Ele quebrou o braço, mas já está sendo engessado. Nós lhe demos uma injeção apenas por precaução. Se a senhora e seu marido quiserem me acompanhar...
Demi ia corrigir o engano, porém a moça já havia se adiantado no corredor, esperando que eles a acompanhassem.
— Seu filho se parece muito com o senhor — comentou a enfermeira. — E além do mais é muito corajoso. Nem chorou!
Demi quase perdeu o fôlego, mas Joe a fez seguir em frente. Nicky estava na enfermaria, sentado numa pequena cama, e quando viu a mãe seu rosto se iluminou.
— Eu caí da árvore e por isso engessaram meu braço, mamãe.
O menino parecia bem, mas Demi precisava pegá-Io no colo para certificar-se disso. Ele se contorceu impacientemente quando ela o abraçou. Olhando para Joe, Nicky perguntou:
— Quem é ele?
Joe olhava para Nicky sem conseguir acreditar. Demi sabia que agora ele não faria mais comentário algum sobre Taylor L ser o pai da criança.
Ignorando a pergunta do filho, Demi se dirigiu à enfermeira:
— Ele pode ir para casa? .
— Claro! O médico quer apenas lhe dar algumas instruções de como cuidar dele. A senhora sabia que o tipo sanguíneo de seu filho não é muito comum?
Demi sabia e suspeitava que Nicky tivesse herdado isso do pai, uma suspeita que a expressão de Joe confirmou.
A enfermeira foi atender uma criança que estava chorando, e eles ficaram sozinhos.
— Meu Deus, por que você não me contou? Ele é meu filho e você não me diz nada!
— Ele não é...
— Não minta Demi. Ele é meu filho! Só um cego diria o contrário. Nós temos muito que conversar, não pense que vai se livrar dessa facilmente. Você me deve algumas explicações.
A chegada do médico interrompeu a conversa. Em vez de dirigir-se a Demi, o médico deu todas as instruções a Joe. Por causa da semelhança entre pai e filho seria inútil negar o parentesco. O fato de Joe ter chegado ao escritório naquele momento em que estava atônita e desorientada ainda a intrigava. Quando Nick lhe disse que Nicky estava hospitalizado, ela simplesmente não conseguiu enxergar mais nada. Era irônico imaginar que, se não fosse por isso, Joe nunca teria descoberto a verdade.
O médico terminou de falar, e Demi se abaixou para pegar Nicky.
— Deixe que eu o levo — disse Joe. — Ele é muito pesado para você.
— Não!
— Pelo amor de Deus! Eu não vou arrancá-Io de seus braços e sair correndo. Que tipo de homem você pensa que eu sou?
Os olhos dela responderam. Só porque Nicky era tão precioso para ela não significava necessariamente que Joe sentisse o mesmo; mas, quando ele viu Nicky, Demi ficou apavorada diante de sua fisionomia alterada.
Nicky entusiasmou-se ao ver o carro estacionado na frente do hospital. Joe segurou-o enquanto Demi se sentava, e depois colocou-o no colo dela.
— Está bem, filho? — ele perguntou, fechando a porta.
Ela estava muito preocupada com Nicky para prestar atenção ao caminho e, quando deu por si, Joe estacionava o carro em frente a um prédio. Demi olhou furiosa para ele.
— Nós temos muito que conversar — Joe disse suavemente.
Demi estremeceu. Por um instante ele pareceu irritado e nervoso o suficiente para matá-Ia.
— Eu quero ir para casa.
Ele saiu do carro e abriu a porta.
— Vamos, saia!
Eles já estavam no elevador quando Joe falou novamente. Nicky perguntou onde estavam e pareceu ficar satisfeito com a resposta de Demi de que conheceriam o apartamento do Sr. Jonas. .
— Vou lhe dizer uma coisa importante. Pelo menos você se preocupa com a criança — Joe começava a acalmar-se.
— Muito mais do que você poderia imaginar!
O apartamento de Joe era grande e confortável. Ele colocou-os à vontade antes de ir para a cozinha, de onde voltou com café e suco de laranja.
Nicky aceitou o suco alegremente. No carro ele tinha ficado quieto, e Demi suspeitou que fosse por causa do trauma do acidente. Agora ele estava sentado no colo dela, parecendo encabulado.
— Você tem filho? — Nicky perguntou, dirigindo-se a Joe.
— Sim — Joe respondeu com suavidade.
Nicky continuou:
— Eu não tenho pai. Mas eu quero um, não é, mamãe?
Demi pensou que fosse desmaiar.
— Bem, vamos ver o que podemos fazer sobre isso, filho.
Por que não dorme um pouquinho enquanto eu e sua mãe conversamos?
— Você não devia ter falado aquilo com ele! — Demi exclamou com raiva depois que ele colocou Nicky na cama.
Para surpresa dela, o menino não teve medo de dormir num quarto estranho. — Ele ainda é muito criança para entender por que não tem pai...
— E também é muito criança para esquecer que não teve um até agora — respondeu Joe, com a voz entrecortada.
— O que você está querendo dizer?
— Nicky é meu filho, Demi, e você não pode negar.
— Você é pai, mas não tem nenhum direito sobre ele.
— Não? Eu gostaria de saber a opinião de um juiz a respeito disso. Ele precisa de um pai. Até você pode perceber isso. É evidente!
— Você não vai tirá-Io de mim! .
— Espero não precisar chegar a tanto!
O que se passava na cabeça daquele homem? O que ele iria lhe pedir? Direito de visitá-Io? Ela seria obrigada a dizer que nunca permitiria que Nicky ficasse dividido entre eles. .
— Nós podemos casar e dar-lhe uma família.
O choque a deixou muda por um instante.
— Casar? — perguntou ela, quando recuperou a fala. — Depois do que você me fez? Nunca!
— Eu lhe dei Nicky — disse ele, com suavidade. .
Ela se afastou de Joe, demonstrando nervosismo.
— Nicky e eu não precisamos de você.
— Você, pode ser que não, mas ele precisa de um pai.
— Então eu encontrarei um para ele! — gritou Demi, assustando-se quando ele agarrou a mão dela. Havia cometido um erro tático, e os olhos de Joe revelavam uma frieza profunda. Ele nunca deixaria que ela desse um padrasto ao filho dele.
— Você seria capaz disso só para me contrariar, não é? Nicky é meu filho, e eu o quero o suficiente para ficar com você, mas, se você não concorda, encontrarei outra mãe para ele. Uma que fique em casa cuidando dele para não cair de árvores. Em casos de custódia, o juiz se preocupa primeiro com o bem-estar da criança. Eu posso lhe dar a segurança de um lar, de um pai e uma mãe. Ele não sofreria por ser deixado com vizinhas enquanto a mãe vai trabalhar. Tenho certeza de que você não precisa usar muita imaginação para saber a favor de quem o juiz ficará — Joe disse, com raiva.
Como ele podia ser tão cruel e mesquinho? Ela sentiu um nó na garganta, mas tentava manter-se calma para vencer a batalha pelo filho. Precisava usar argumentos lógicos e claros.
— Até hoje você nem mesmo sabia da existência dele —insistiu ela. — Como você pode afirmar que o quer?
— Você não o quis no momento em que o viu?
A expressão de Demi a traía.
— Eu nunca teria deixado que ele nascesse se soubesse que isso ia acontecer! — ela exclamou, com amargura, ficando chocada quando Joe a sacudiu com violência.
— Nunca mais quero ouvi-Ia falar desse jeito! – Ele estava furioso. — Se você estivesse falando sério, eu a poria daqui para fora na mesma hora... E ficaria com o meu filho!
Tal injustiça a deixou revoltada. Ele havia gerado Nicky sem o saber e agora ousava acusá-Ia de mãe irresponsável.
— Case comigo, Demi — disse ele, com voz firme. — Caso contrário, tomarei minhas providências.
— Dê-me algum tempo. — Ela estava exausta. — Eu farei o que for melhor para Nicky. Ter pais que brigam o tempo todo não é o ideal! Você também pensa assim, Joe? É lógico que pode ver que o casamento entre nós não será o melhor para Nicky.
Ao ouvir um barulho, Demi olhou para o quarto, mas Joe chegou primeiro e, quando ela entrou, ele já estava sentado perto de Nicky. O garotinho parecia sério e confuso. Sua voz saiu um pouco trêmula ao pronunciar o nome da mãe, aconchegando-se a ela quando Demi o tomou nos braços. O garotinho pressionou o rosto contra o peito dela ignorando a presença de Joe, e por um momento ela se sentiu triunfante, por Nicky tê-Ia procurado em vez de buscar o pai.
— Fique sabendo que eu não estou brincando — avisou-a Joe, calmamente, enquanto ela se levantava com Nicky nos braços. — Quero sua resposta amanhã. Se preferir, tire uma folga no trabalho, assim você não poderá dizer que não teve tempo suficiente para pensar.
Ela estava absorta durante todo o caminho de volta a casa, e foi apanhada de surpresa quando o carro parou, e Joe abriu a porta para Nicky, que pediu para que ele o carregasse. O que mais a deixou furiosa foi o fato de Joe não se mostrar triunfante, erguendo o menino com naturalidade e com um sorriso que foi imediatamente retribuído por Nicky.
— Não pense em fugir de mim, Demi — Joe avisou, colocando Nicky na cama.
Ele a seguiu até a sala de visitas, lançando-lhe um olhar inflexível.
— Esta tarde você pensou que Nicky era filho de Taylor L — ela recordou, com amargura.
— Mas agora sei que é meu e quero dar a vocês dois a minha proteção.
— Que maravilha, não? Mal posso acreditar! – Demi disse, com raiva. — Só que nós não precisamos de você, Joe. E quando eu precisei você não estava por perto.
— Eu não sabia que você estava grávida! — ele gritou pálido. — Eu já tentei lhe dizer...
— E eu não quero ouvir — ela interrompeu-o, com os olhos cheios de ódio. — Por que você não nos deixa em paz? Nicky e eu somos felizes assim.
— Talvez você seja feliz, mas, e Nicky? Uma criança precisa de pai e mãe, Demi, e se você for honesta consigo mesma admitirá que tenho razão. Como você, eu também só quero a felicidade dele. No momento em que o vi e soube que era meu filho, compreendi que não poderia deixá-Io sair da minha vida.
— Mesmo considerando que você entrou naquele apartamento apenas para encontrar as provas de que precisava para incriminar James Myers — ela concluiu, com amargura. — Ah, saia daqui, seu... Seu hipócrita!
Depois que ele se foi, ela ficou sentada, olhando o vazio e tentando chegar a uma conclusão de tudo o que havia acontecido, sem perceber que já estava escuro.
Joe não havia feito ameaças em vão, ela bem o sabia. Ele lutaria para conseguir o filho e certamente nenhum juiz ficaria do lado de uma mãe que trabalhava fora quando o pai poderia dar uma casa luxuosa e uma madrasta dedicada. Quem ele teria em mente? Taylor S? Pouco provável! Ela não gostava de crianças. Mas, com certeza, não faltariam mulheres que quisessem se casar com ele.
Uma leve batida na porta a assustou e, a princípio, ela pensou que fosse Joe. Mas quando abriu a porta viu Miley com os olhos vermelhos de tanto chorar.
— Oh, Miley, não foi culpa sua! — exclamou Demi, recriminando-se por não ter ido antes ao apartamento da amiga. Será que Miley ainda pensava que ela a culpava pelo acidente? — Eu deveria ter ido vê-Ia, mas tinha algo importante a resolver. Joe quer casar comigo por causa de Nicky — disse repentinamente, sem saber por que sentia necessidade de confiar em alguém. .
Miley ficou aliviada.
— Oh, Demi! Finalmente ouço boas notícias! Quando voltamos do hospital, o pai de Nick estava ao telefone. O irmão do meu marido ficou seriamente ferido num acidente de automóvel e meu sogro quer que voltemos imediatamente. Com Cesare no hospital não há ninguém para cuidar das coisas, e eu tinha receio de lhe dizer que precisaremos partir.
Demi sentiu um aperto no coração ao ouvir aquilo. É claro que Miley e Nick teriam de voltar para a Itália, mas quem cuidaria de Nicky? Como ela poderia sair para trabalhar se não tinha ninguém de confiança para olhá-Io? Ele ainda era muito pequeno para ir para uma escolinha mesmo que existisse uma nas proximidades. A única alternativa seria encontrar uma babá, mas ela preferia que Nicky crescesse em ambientes familiares, e foi por isso que ficou contente quando Miley e Nick ocuparam o apartamento. Também poderia colocar um anúncio à procura de outro casal, mas isso levaria tempo. E, se achasse alguém, Nicky não se acostumaria tão facilmente com eles.
— Casar! — exclamou Miley, com romantismo. — Oh, isso é tão bom. Eu logo vi que ele não iria desamparar o próprio filho. Vocês brigaram, não? E o orgulho não deixou que você lhe falasse sobre o bebê. Nick ficará satisfeito! Nós estávamos tão preocupados em lhe contar...
Demi compreendia perfeitamente a situação da amiga.
Porém, não conseguiu encontrar as palavras para dizer a Miley que não queria se casar com Joe. Não havia outra saída. Joe tinha deixado bem claro que pretendia ter o filho sob o teto dele, mesmo que para isso precisasse destruí-Ia.
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